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Zona de conforto

Por Beatriz Cutait

A primeira e forte valorização do mercado acionário em cinco meses, com alta do Ibovespa da ordem de 7% em março, deu respaldo para os participantes da Carteira Valor manterem a maior parte das apostas nos grandes nomes que já vinham dominando o portfólio. Isso porque, embora a recuperação da bolsa tenha surpreendido positivamente, não se espera uma repetição do movimento, pelo menos não na mesma magnitude. O tom defensivo do portfólio fez com que ele descolasse do índice no mês passado, ao render 4,46%, e no ano, com baixa de 4,11%. Em 12 meses, porém, sobe 1,67%, desempenho superior ao Ibovespa, com queda de 10,54%.

As novidades para abril ficaram com Petrobras PN e Estácio ON, com duas recomendações cada. Na lista das repetições, a preferência das corretoras foi liderada por BB Seguridade ON (citada por cinco casas); seguida por Vale PNA, Itaú Unibanco PN, Ambev ON e Pão de Açúcar PN, com quatro menções; Suzano PNA (com três); e BRF ON e Ultrapar ON, com duas indicações.

A Citi Corretora avalia que o cenário ainda requer cautela e, portanto, manteve a exposição em empresas defensivas e com foco doméstico, além de incluir a ação da Vale por ela se beneficiar da desvalorização cambial. “Apesar de alguns fatores positivos no mês, ressaltamos que o cenário não mudou. Elevado risco de racionamento, inflação alta, baixo crescimento da economia, continuidade na redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos e notícias relativas à China devem continuar influenciando o mercado, assim como especulações em torno das eleições”, assinala, em relatório.

O estrategista da Santander Corretora, Leonardo Milane, destaca que a melhora de alguns indicadores econômicos brasileiros esteve por trás da retomada da bolsa no mês passado, ao lado do fluxo de recursos de investidores estrangeiros. “Tivemos certo alívio e a bolsa estava barata, principalmente em dólar”, afirma Milane, ressaltando que o movimento estimulou a zeragem de posições vendidas e a entrada de investidores que estavam fora do mercado ou com exposição muito baixa a papéis cíclicos. Mas para o movimento continuar, diz Milane, é preciso que esses dados macroeconômicos sigam em evolução.

Um dos destaques de alta de março, as ações da Petrobras voltaram à Carteira Valor indicadas pela Votorantim Corretora e pela Souza Barros. Em março, os papéis preferenciais da estatal avançaram cerca de 16%, mas, no ano, ainda acumulam perda de 7,6%.

André Parize, chefe da área de pesquisa da Votorantim, diz que a escolha pelo papel é uma espécie de proteção, caso sua visão conservadora para a bolsa em abril não seja confirmada. A ideia é não ficar descolado do Ibovespa, se o índice engatar nova alta neste mês.

A Souza Barros recomenda as ações da Petrobras desde novembro. Na época, a tese estava baseada na expectativa de uma fórmula de reajuste automático de preços de combustíveis. Apesar da frustração, o papel foi mantido por conta de preço. Em março, a ação disparou amparada pela pesquisa desfavorável à presidente Dilma Rousseff, questão que ainda pode se sustentar em abril, avalia o economista-chefe da corretora, Clodoir Vieira. Ele também enxerga a probabilidade de aumento de preços antes mesmo das eleições. Para a Votorantim, o reajuste vem no próximo ano “de toda forma”.

Em meio a um cenário ainda incerto, a Santander incluiu as ações da empresa de educação Estácio dentre as recomendações deste mês, como opção defensiva. “A Estácio vai divulgar mais um resultado positivo no primeiro trimestre, assim como outras empresas de educação, o que faz com que o setor seja um ‘queridinho’ da bolsa, com maior previsibilidade de geração caixa e desempenho favorável mesmo em um ambiente macroeconômico dúbio”, diz Milane.

Também atenta aos bons números da Estácio, a Bradesco Corretora indicou os papéis para a carteira de abril. A instituição trabalha com perspectiva positiva para a companhia em 2014, com margem Ebitda entre 21,5% e 22,5%, e depois desse período também. “Além disso, a aquisição da UniSeb (em análise pelo Cade) deve reforçar sua operação de ensino à distância e sua presença no Estado de São Paulo”, afirma a casa, em relatório. O movimento de fusões e aquisições, acrescenta a corretora, também deve seguir como um importante motor de crescimento.

Fonte: Valor Econômico de 2.4.2014.

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