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Wisco desmente desistência de projeto com Eike Batista

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE , PEQUIM – O Estado de S.Paulo

Wisco desmente desistência de projeto com Eike Batista

Empresa afirma, porém, que investimento de US$ 5 bilhões depende de solução de problemas de infraestrutura

A chinesa Wuhan Iron & Steel (Wisco) negou ontem oficialmente que tenha desistido do projeto de construção de uma siderúrgica de US$ 5 bilhões no Brasil – o Porto do Açu, em São João da Barra, no litoral norte do Rio de Janeiro -, mas um representante da empresa afirmou que há dificuldades relacionadas à infraestrutura brasileira, em especial o atraso na construção de uma ferrovia de 300 km que abasteceria a usina.

“Nós esperamos que o lado brasileiro cumpra a promessa de construir a ferrovia. Isso teve influência negativa sobre a nossa cooperação”, declarou ao Estado Peng Weike, diretor da Wisco responsável pelas operações no Brasil.

O investimento seria realizado em conjunto com a EBX, de Eike Batista, e teria capacidade de produção de 5 milhões de toneladas de aço por ano. Assinado em 2009, o acordo entre as duas partes previa que a usina entraria em operação em 2012. Mas até agora, nem os estudos de viabilidade econômica, que inicialmente deveriam ter ficado prontos em 2010, foram concluídos.

Na terça-feira, o jornal chinês 21st Century Business Herald divulgou reportagem segundo a qual a Wisco havia desistido da empreitada. A informação foi atribuída a duas fontes que não revelaram suas identidades. Se concretizado, o projeto da siderúrgica esse será um dos maiores investimentos já realizados pela China no Brasil.

“Nós não desistimos do projeto. Não sei de onde o jornal tirou a informação, mas posso dizer que ela não é verdadeira”, afirmou Sun Jin, diretor de relações com a imprensa internacional da Wisco. Na terça-feira, o empresário Eike Batista já havia dito, no Twitter e em entrevistas à imprensa, que a informação não era verdadeira. “Não cabe a mim responder por eles, mas eles desmentiram. Isso não está correto”, disse ele ao Estado.

Segundo Peng, da Wisco, a demora na concretização dos planos se deve à necessidade de avaliação de todos os “riscos” envolvidos na operação, entre os quais o jurídico, o operacional e o econômico. “É um investimento muito grande e temos que ser cautelosos antes de tomar uma decisão.”

Transporte. O maior problema do projeto parece mesmo ser a infraestrutura. Peng, o chefe das operações no Brasil, disse que há dificuldades no transporte de matérias-primas e minério de ferro para o local onde a siderúrgica seria instalada. “Se quiser atrair mais investimentos, eu acho que o governo brasileiro deveria ver que esse é um elemento muito importante, que afeta as decisões de investimentos”, observou.

Peng ressaltou que o lado brasileiro prometeu construir a ferrovia de 300 km “o mais rápido possível”, mas até agora isso não ocorreu. Ele acrescentou que é difícil saber quando o estudo de viabilidade econômica estará concluído, porque há muitos elementos “incertos”.

O embaixador do Brasil na China, Clodoaldo Hugueney, disse que visitou a sede da Wisco há cerca de um mês e ouviu que os planos de associação com o grupo de Eike Batista estavam mantidos, ainda que o investimento não deva ocorrer de forma imediata.

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