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Western Asset: é hora de comprar títulos brasileiros

É hora de comprar títulos públicos brasileiros na visão da gestora americana Western Asset, uma das líderes globais em renda fixa, com US$ 470 bilhões sob gestão. “Entendemos que há desafios para o Brasil, mas consideramos que os prêmios exageraram e estão atraentes”, afirmou Ken Leech, codiretor de investimentos da casa, em entrevista exclusiva ao Valor em passagem pelo Brasil. A partir de março ele assume sozinho a função de CIO (Chief Investment Officer) da casa, com a aposentadoria do codiretor Stephen Walsh.

Leech é também o gestor responsável pelo fundo Macro Opportunities, portfólio da casa que explora oportunidades nos mercados de renda fixa em todo o mundo. Hoje, a maior concentração da carteira, cerca de 60% do patrimônio, está nos EUA. Uma fatia de 5% é destinada aos ativos brasileiros. “É uma posição significativa dada a volatilidade do mercado brasileiro”, afirma o gestor, que diz ter iniciado as compras dos papéis públicos em julho, seguindo a recomendação do escritório brasileiro.

O gosto pelos ativos brasileiros, entretanto, fica atrás da opção pelos papéis mexicanos. É deles a maior fatia da carteira aplicada em emergentes, de 7%. A preferência, diz Leech, está relacionada às reformas estruturais recentes no país. O processo, para ele, vai melhorar a competitividade da economia mexicana.

O investidor estrangeiro, ao olhar hoje para os mercados emergentes de títulos, depara-se com duas linhas de pensamento concorrentes, segundo Leech, há 23 anos na Western. Uma trata da desaceleração do crescimento, do estresse que acomete suas moedas e, como é o caso do Brasil, dos crescentes desafios fiscais. Do outro lado, está a oferta de juros extraordinários, com uma forte desvalorização recente dos papéis, sendo que as moedas locais também já perderam bastante valor.

“Você tem que pensar se aqueles preços já se depreciaram o suficiente ou não para te compensar pelos riscos”, afirma Leech. O julgamento da Western hoje, diz, é que até pode ser que os títulos se desvalorizem ainda mais. “Mas acreditamos que eles já caíram demais em relação ao risco. Então, nós gostamos de Brasil”, completa o gestor.

A Western Asset compra títulos de emergentes para os clientes americanos desde 1993. Isso significou passar por momentos de crises nesses mercados, como em 1994, 1998 e 2002. “Você tem que estar apto a entender a volatilidade”, diz Leech. O desafio, afirma, é selecionar os momentos de entrada, ou seja, de comprar os títulos. “E nós pensamos que é isso que temos hoje no Brasil”, afirma o gestor.

Dentre as oportunidades, Leech cita títulos públicos com vencimento em três anos e taxa superior a 12%. Na última sexta-feira, era possível comprar pelo Tesouro Direto – sistema de venda de títulos a pessoas físicas pela internet – papéis prefixados com vencimento em 2016 à taxa nominal de 12,03%. Dentre os papéis indexados à inflação, a NTN-B com vencimento em 2017 rendia 5,89%. O papel de prazo mais longo, para 2050, pagava 6,76% adicionais à variação da inflação.

A maior parte dos títulos carregados hoje nos portfólios globais da gestora maturam por volta de 2017, segundo Paulo Clini, diretor de investimentos da Western Asset no Brasil. Ou seja, a casa está mais posicionada nos vencimentos intermediários, nem tão longos nem tão curtos.

Para Clini, esperar uma Selic próxima de 13% – como sugere a curva de juros – em um cenário de baixo crescimento, com recentes revisões para baixo, não parece correto. “Não estou dizendo que não há preocupações com questão fiscal, com inflação, mas algumas delas parecem exageradas”, diz. “Mesmo que o Banco Central tenha que elevar os juros um pouco mais do que o esperado, ainda temos um colchão de segurança”, completa. E, se a tese de investimento se confirmar, os prêmios hoje vistos vão se traduzir em ganho de capital, em breve ou não, diz, ressaltando que pode demorar. “Paciência é o nome do jogo.”

Uma das preocupações hoje de quem investe em títulos de emergentes é a expectativa da retirada de estímulos à economia americana. Isso poderia levar a um acréscimo adicional nas taxas locais, desvalorizando os títulos comprados hoje. Para Leech, a política monetária americana está sendo, em alguma medida, mal interpretada. “Acreditamos que o Fed [Federal Reserve, o banco central americano] vai ser muito acomodativo”, diz. Sendo assim, espera, os juros americanos não vão se mover bruscamente e não haverá sofrimento excessivo nos emergentes. E, no longo prazo, destaca, a recuperação global em curso é na realidade positiva para todos os mercados.

A armadura para o Brasil sofrer menos ao longo desse processo, diz Leech, envolve crescimento interno sustentado, políticas governamentais amigáveis ao mercado e reformas estruturais. Seja como for, ele acredita que os emergentes estão mais bem preparados para esse momento, com reservas internacionais mais fartas, por exemplo.

Não seria melhor esperar uma maior definição do cenário para investir nos títulos de emergentes? “Essa é sempre a questão. Eu costumo brincar com meus colegas que, nos mercados emergentes de títulos, assim que você compra, eles se desvalorizam. Se você não compra e espera, eles se valorizam”, diz Leech. Para ele, é melhor não tentar acertar o momento exato. “Nós decidimos que os valores no Brasil estão tão atraentes que nós devemos comprar. E se eles se desvalorizarem mais, provavelmente vamos comprar mais”, diz.

O gestor da Western também tem encontrado oportunidades em títulos corporativos brasileiros. Ele acessa esse mercado por meio de papéis emitidos no exterior, o que é feito normalmente por grandes empresas. Hoje dentre os setores em que a casa tem em carteira estão os de petróleo e de telecomunicações.

Fonte: Valor Econômico de 9.12.2013.

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