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Viracopos não tem prazo para reabrir após incidente com cargueiro

Equipes da empresa Centurion Cargo e da Infraero trabalham na remoção do avião; 400 voos foram cancelados até as 11h

Paulo Claro / Campinas – Especial para o Estado de S.Paulo

O defeito no pneu de um avião cargueiro durante pouso no sábado à noite ainda bloqueia a única pista do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, e tumultua a vida de milhares de passageiros. Segundo a Infraero, a operação para remover o cargeiro está em andamento, mas não há previsão de quando a pista será liberada. Entre as 20h de sábado e as 11h desta segunda-feira, 400 voos haviam sido cancelados.

Do total de voos afetados, 95% são da Azul Linhas Aéreas, que prevê o cancelamento de 450 de voos até as 15h desta segunda. A empresa ofereceu ônibus para levar passageiros aos Aeroportos de Cumbica e Congonhas, onde foram realocados em outros aviões. Mas durante toda noite de anteontem e o dia de ontem houve muita confusão em Viracopos por causa da interdição. Muitos passageiros passaram a madrugada no aeroporto e reclamavam de descaso.

O pneu do cargueiro MD-11 da Centurion Cargo, que vinha de Miami, nos Estados Unidos, estourou após a aterrissagem, às 20h de sábado. Não houve feridos. Após o acidente, a companhia Centurion Cargo não removeu o avião da pista, que permaneceu bloqueada.

Segundo a empresa, a demora para o início dos trabalhos de desbloqueio da pista ocorreu pela necessidade de deslocamento de equipamentos específicos para o reboque, que foram enviados de São Paulo, e também pela complexidade da operação. A carga de 67 toneladas de eletrônicos e produtos manufaturados foi retirada na manhã de domingo.

Na manhã desta segunda-feira, um equipamento que vai nivelar a aeronave sem danificar sua estrutura chegou no aeroporto e está sendo usado para a remoção do cargueiro.

A ranhura feita na pista pelo trem de pouso do avião cargueiro já foi reparada, segundo a empresa, mas ainda faltaria limpar o local, que ficou sujo de óleo derrubado pela aeronave. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enviou equipe de 15 pessoas para monitorar a operação.

A TAM informou que seus passageiros também foram levados de ônibus para aeroportos de São Paulo. Em nota, a Azul Linhas Aéreas informou que estava “prestando todo o auxílio necessário aos clientes, de acordo com a resolução da Anac, reacomodando-os da melhor maneira possível”. Já a Gol informou que parte dos passageiros foi levada a São Paulo por via terrestre e cancelou as multas para quem quiser mudar ou cancelar o voo.

Situação no aeroporto. O movimento no aeroporto nesta segunda-feira foi intenso pela manhã, com muitos passageiros buscando informações sobre seus voos e cobrando alternativas para o caos provocado pelo incidente. A Azul permanece oferecendo ônibus para o transporte de passageiros. Eles estão sendo levados para São Paulo, para os aeroportos de Congonhas e Cumbica, e também para o Rio de Janeiro e o aeroporto de Confins em Minas Gerais.

O auxílio, no entanto, não tem sido suficiente para algumas pessoas. O executivo Silas Gontenberg, por exemplo, que iria para Confins a trabalho num voo das 6 horas desistiu da opção oferecida pela companhia. “São oito horas até Confins de ônibus, vou perder o dia de trabalho. Preferi ir de ônibus até São Paulo e de lá tentar um outro voo, mesmo com o prejuízo que vou ter”.
Problemas. Para o professor de Gestão de Aviação Civil Marcus Reis, o fechamento tão prolongado de Viracopos expõe a falta de infraestrutura dos aeroportos. “Não é um problema só de Viracopos”, afirma.

Ele defende que aeroportos com volume tão elevado de voos como o de Campinas tenham equipamentos a postos para esse tipo de emergência. “O número de voos em Viracopos cresceu muito mais do que sua infraestrutura permite”, diz. “Se tem acidente no Santos Dumont (no Rio), com risco de contaminação do mar ou algum problema ambiental, tudo bem haver demora para liberar pistas. Mas em Viracopos não foi o caso.”

Colaboraram Bruno Ribeiro, José Maria Tomazela e Ricardo Brandt
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