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Varejo traz ações baratas, mas cenário desafiador em 2014

Especialistas projetam um cenário desafiador para ações de varejo em 2014, mas com boas oportunidades para investir com foco de longo prazo. O setor perdeu fôlego neste ano e a cautela dos consumidores teve reflexos nas empresas listadas em bolsa, cujos papéis, de acordo com analistas, agora oferecem preços atrativos de compra.

Fabricantes de alimentos e produtos farmacêuticos – segmentos de demanda mais estável – tomaram a dianteira nos ganhos em 2013, enquanto empresas de vestuário e bens duráveis acumularam quedas, diante da desaceleração econômica e de questões estratégicas.

No acumulado do ano até 20 de dezembro, as ações do Pão de Açúcar e da Hypermarcas lideravam as altas do varejo no Ibovespa, com ganhos de 14,8% e 9%, respectivamente. No entanto, destaca o Deutsche Bank, resta pouco espaço para mais valorização no curto prazo. A opção seria, então, voltar-se a papéis mais descontados.

No caso do Pão de Açúcar, as elevadas expectativas com a reestruturação do negócio de bens duráveis deixam pouco espaço para que os lucros surpreendam. A perspectiva econômica incerta e a concorrência também podem afetar o negócio, diz, em relatório, o analista Marcel Moraes, do Deutsche. A recomendação do banco é de manutenção para os papéis, com preço-alvo de R$ 123 – potencial de alta de 19,6% ante a cotação de fechamento do dia 20.

As ações da Hypermarcas, bem posicionada no mercado farmacêutico, refletem em grande parte os ganhos de eficiência esperados para 2014, com a integração das fábricas de bens de consumo. Por isso, também há um espaço limitado para novos ganhos, afirma Moraes. O Deutsche sugere a manutenção do papel, cujo preço ao fim de 2014 é esperado em R$ 21,50, equivalente a uma valorização potencial de 20%.

Entre as ações preferidas no segmento, o Deutsche destaca Magazine Luiza, Cia Hering e Lojas Marisa. “O setor de varejo deve passar por um momento tumultuado, em que o investidor fica reticente por questões macroeconômicas. As empresas que devem ter desempenho melhor são aquelas com múltiplos descontados em relação ao valor histórico ou aos pares globais do setor”, diz Moraes.

Os papéis do Magazine Luiza, por exemplo, têm a relação entre preço e lucro (P/L, múltiplo que indica o prazo de retorno do investimento) próxima a 10 vezes para 2014, enquanto empresas internacionais do setor são negociadas a múltiplo de 17 vezes, calcula o Deutsche. A instituição espera crescimento de margem no ano que vem e alta nas vendas, trazida especialmente pelo segmento de eletrônicos. A reestruturação da companhia no Nordeste também deve continuar a trazer benefícios.

Para a Marisa, cujos papéis lideram as perdas no setor de varejo de vestuário no ano, com queda de 39,5%, a punição pelo resultado do terceiro trimestre pode ter sido severa demais, dizem os especialistas. A empresa enfrentou um desequilíbrio no controle dos estoques entre julho e setembro, cuja gestão diz ter corrigido. Pela forte desvalorização, o papel é também uma das principais apostas de recuperação da analista Daniela Martins, da Concórdia Corretora.

A Hering, depois de um processo de reestruturação, opera descontada e inspira um cenário melhor em 2014. “Em contraste com muitas outras varejistas locais, a Hering está sujeita a mais chances de alta que de desvalorização”, diz Moraes, do Deutsche. “A Hering vai mudar seu sistema operacional e ficar alguns dias sem produzir. A empresa terá de provar que se planejou bem para o início de ano”, completa Daniela, da Concórdia.

O calendário de 2014 será atípico. Por conta da Copa do Mundo, o ano letivo será antecipado e o Carnaval será mais tarde, em março. Entre junho e julho, acontecerão os jogos e, no segundo semestre, haverá eleições. “A paralisação do comércio em várias cidades por conta dos jogos deve prejudicar o rendimento de empresas de vestuário. O pior período deve ser o segundo trimestre”, ressalta Daniela.

Outras incertezas podem vir na segunda metade do ano, como apertos nas políticas fiscal e monetária, caso o déficit fiscal do país continue a se deteriorar. Após as eleições, o governo precisará fazer um grande ajuste fiscal, e a conta ficará também para o ano de 2015.

A varejista de moda Marisa admitiu em encontro com jornalistas que não espera que os próximos anos sejam tão promissores para o varejo como foram os dez últimos, mas que ainda há muita oportunidade de crescimento. A companhia prevê reduzir o ritmo de abertura de lojas em 2014, assim como será mais seletiva na concessão de crédito.

As vendas no varejo, que cresceram de 7% a 10 % ao ano entre 2004 e 2012, perdem ritmo. Para este ano, o aumento estimado corresponde a 4%, segundo o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), mesmo com os estímulos do programa Minha Casa Melhor e as reduções de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Para 2014, a expectativa é de expansão de 4,7%.

Para a Marisa, está claro que a Copa pode impulsionar a venda de cervejas e televisores, mas não o vestuário. “E as eleições só devem trazer algum benefício para as categorias com incentivo do governo”, disse o presidente da companhia, Márcio Goldfarb.

A expectativa é de desempenhos distintos por segmento de consumo. A demanda por bens duráveis tende a ser estimulada pela Copa, mas a performance de venda de móveis, por exemplo, deve ficar abaixo do resultado de eletrônicos. Já empresas de vestuário podem perder com o comprometimento da renda do consumidor e com o crédito mais seletivo.

Para Hamilton Moreira, estrategista do BB Investimentos, é preciso peneirar as melhores opções. Segundo ele, com a expectativa de crescimento dos principais parceiros comerciais do Brasil – Estados Unidos e China – em 2014, além da manutenção de um cenário positivo de emprego, renda e crédito, a bolsa tende a amenizar o descolamento com os índices internacionais e abrir espaço para ganhos com ações do setor de varejo.

 Fonte: Valor Econômico de 26.12.2013.

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