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Valorização do dólar amplia demanda por hedge

O acentuado movimento de alta dólar, que encerrou 2013 com valorização de 15,37% em relação ao real – e ontem ganhou mais 1,44% -, fez crescer a procura por operações de “hedge” contra as oscilações da moeda americana. A demanda se observa tanto por parte das empresas importadoras como por companhias que buscam proteger seus passivos em dólar.

Uma amostra desse movimento foi o aumento do volume negociado em contratos a termo de moedas, a maioria atrelados ao dólar. Nessa estrutura, as partes travam uma taxa de câmbio que valerá numa data previamente acordada, com entrega efetiva de moeda. Na Cetip, que concentra as operações do mercado de balcão e responde pela maior parte das operações de hedge cambial realizadas pelas empresas, o volume negociado desses contratos no ano passado, até 20 de dezembro, somou US$ 337,563 bilhões, 30,64% acima do observado em 2012, de US$ 258,386 bilhões. “Foi o maior volume negociado em termo de moedas pós-crise de 2008”, diz gerente-executivo de Desenvolvimento de Produtos e Negócios da Cetip, Fabio Zenaro.

A alta da moeda americana em 2013 só não foi maior do que em 2008, quando o dólar subiu 31,34% em plena crise financeira global. Naquele ano, muitas empresas tiveram problemas com a exposição a derivativos cambiais, com perdas maiores para as companhias que chegaram a apostar na alta da moeda brasileira. Desde então, as empresas vêm ampliando a busca por proteção dos passivos em dólar. Tanto é que, em relação a 2008, o volume de negócios de contratos a termo de moedas cresceu 91,6%.

No ano passado, o mês que registrou maior volume de operações foi agosto, quando os negócios atingiram US$ 34,581 bilhões. Foi naquele mês que o dólar alcançou o pico de R$ 2,4510 no dia 21, depois de ter iniciado 2013 em R$ 2,046. A disparada levou o Banco Central a lançar um programa de intervenção diária no mercado de câmbio em 22 de agosto. Apesar da injeção de US$ 52,15 bilhões por meio do programa em 2013, a moeda americana encerrou valendo R$ 2,3570.

Em dezembro, o volume de operações por meio de contratos de moeda somava US$ 23,473 bilhões, bem próximo aos US$ 24,512 bilhões movimentados no ano passado. “De março a agosto, vimos uma demanda maior por parte dos compradores, diante da disparada da moeda americana. Hoje, com a volatilidade menor da taxa de câmbio, vemos um equilíbrio maior entre compradores e vendedores de termo de moedas”, afirma Zenaro.

O dólar ganhou força em relação às principais moedas emergentes diante da preocupação dos investidores com o redimensionamento da injeção de recursos pelo Federal Reserve. Em 18 de dezembro, o banco central americano anunciou que começará a reduzir os estímulos monetários a partir deste mês, cortando o volume mensal de compra de ativos de US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões.

Segundo o vice-presidente de negócios do banco Pine, Norberto Zaiet, houve um aumento da demanda por “hedge” a partir do terceiro trimestre do ano passado. “Antes, tínhamos um estoque entre R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões em derivativos. No terceiro trimestre, esse estoque pulou para R$ 11 bilhões e tem se mantido nesse nível”, afirma o executivo do Pine, que tem como clientes empresas com faturamento acima de R$ 500 milhões e hoje detém a segunda posição como provedor de hedge para o setor de commodities. A maioria desses contratos de hedge, segundo Zaiet, tem prazo médio de 119 dias.

Atualmente, as operações de hedge representam 25% das receitas do banco. Para 2014, o executivo acredita que a procura por essas operações tende a se manter aquecida. “A demanda deve continuar alta uma vez que ainda há muita incerteza sobre a acomodação da política monetária nos Estados Unidos e em relação às eleições no Brasil, o que deve manter o dólar em um patamar mais alto”, destaca Zaiet.

Segundo Zenaro, da Cetip, a maioria das empresas já fez o hedge que precisava e agora só está renovando as posições. A maior parte das operações de contrato a termo de moedas negociadas na Cetip é de curto prazo, entre 90 e 120 dias.

A maioria das empresas utiliza o mercado de balcão para fazer hedge uma vez que as condições desses contratos como tamanho, prazo de vencimento e amortização podem ser definidas de acordo com a necessidade das companhias.

Na BM&F, o movimento de busca por proteção cambial por parte das empresas também mostrou crescimento relevante. Os investidores da categoria pessoa jurídica não financeira passaram de uma posição líquida vendida em dólar no início de 2013 de US$ 822 milhões para uma posição comprada na moeda americana em US$ 1,321 bilhão no fim de dezembro.

O gerente-executivo da Cetip ainda chama a atenção para a redução do tíquete médio das operações neste ano, o que indica o aumento da participação de empresas de menor porte em operações com derivativos com finalidade de hedge. “Hoje, empresas menores já têm uma política de hedge cambial e utilizam esses instrumentos para gestão de risco.”

Fonte: Valor Econômico de 3.1.2014

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