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Valora capta R$ 500 milhões para fundo de petróleo e gás

Por Talita Moreira

A gestora de recursos Valora Investimentos concluiu, no fim de julho, a captação de recursos para um fundo de “private equity” voltado ao setor de petróleo e gás. Foram levantados R$ 500 milhões, que serão investidos em prestadores de serviços ou fornecedores de equipamentos para o setor.

A escolha desse segmento decorre da avaliação de que as atividade de exploração e produção de petróleo na camada do pré-sal vão exigir maior especialização das companhias – e, portanto, haverá necessidade de capital para financiar investimentos em tecnologia.

Outro fator é a percepção de que há pouquíssimos fornecedores da indústria do petróleo listados em bolsa, embora a Petrobras utilize os serviços de milhares de empresas. Com isso, haveria espaço para levar novas empresas ao mercado e dar saída aos investimentos do fundo, cujo prazo é de oito anos.

O FIP Brasil Óleo & Gás atraiu 13 investidores, entre os quais fundos de pensão e o Banco do Brasil. A Gaia Petróleo e Gás atuará como consultor técnico e vai ajudar a detectar investimentos.

“Há oportunidades entre as empresas que prestam serviços ou fornecem equipamentos para o setor. Elas vão precisar investir em tecnologias que ainda não dominam”, diz Paulo Rezende, um dos responsáveis pela gestão do fundo.

Além de Rezende – egresso da Kinea, companhia de investimentos do Itaú Unibanco -, estão à frente do FIP Brasil Óleo & Gás outros dois nomes. São eles Alvaro Novis, ex-diretor financeiro da Odebrecht, e Daniel Pegorini, sócio e principal executivo da Valora Investimentos.

A gestora é um braço da Valora Participações, butique de negócios criada por Álvaro Cunha quando este deixou o grupo Odebrecht, em 2002. Inicialmente, o foco eram processos de reestruturação de empresas. Passaram por ali casos como Bombril e Banco Santos.

Três anos mais tarde, surgiu a gestora – primeiro, como “family office” e, depois, com um perfil mais amplo. Hoje, a Valora tem R$ 1,5 bilhão sob gestão, distribuído entre cinco fundos voltados para crédito privado, um fundo que investe na hidrelétrica de Santo Antônio e o FIP Brasil Óleo & Gás.

Em comum, todos têm como foco ativos de empresas não financeiras. “Pela experiência dos sócios, nossos investimentos são atrelados à economia real”, diz Pegorini. “Não investimos em dólar futuro nem fazemos arbitragem com o Copom. Temos outro perfil.”

No caso do novo fundo, o objetivo é aplicar os recursos numa carteira de quatro a seis empresas. Já existem conversas adiantadas com três delas. O regulamento do FIP prevê que as participações sejam sempre minoritárias.

Segundo Novis, a proposta é trabalhar em conjunto com a administração das empresas e aproveitar a experiência que já têm. “Queremos ser investidores com menos cobrança e mais parceria”, afirma.

Valor Econômico de 9.8.2012.

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