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Troca de planos de previdência dobra em 2012

Investidor tem comparado taxas e buscado investimento com retorno maior no longo prazo

Yolanda Fordelone, de O Estado de S. Paulo

Taxas mais baixas e produtos com um perfil mais adequado à aposentadoria têm levado os investidores a trocar seus planos de previdência (veja gráfico ao final desta página). Os dados mais recentes da Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) mostram que as operações de portabilidade – que permitem a troca de plano sem pagamento de Imposto de Renda e taxas – dobraram entre abril de 2012 e o mesmo mês no ano passado. O valor financeiro dessas trocas atingiu R$ 453 milhões no período. Trata-se de um valor recorde e que representa um crescimento de 63% na comparação entre os mesmos meses.

“Claro que parte do crescimento acompanha a evolução natural do mercado, mas creio que o investidor está mais atento na comparação de produtos”, afirma o vice-presidente da Fenaprevi, Osvaldo Nascimento. Ele explica que os números só consideram a portabilidade entre seguradoras. “Se levarmos em consideração a migração dentro da própria seguradora, o valor dobra”, calcula Nascimento.

Parte desse movimento é explicado pelo momento econômico de juros mais baixos, que reduzem os ganhos dos planos conservadores de renda fixa. “Essas carteiras ainda representam a maioria das aplicações, mas o investidor tem buscado produtos que, no longo prazo, tendem a entregar um retorno maior, como os planos de renda variável ou multimercados”, afirma Nascimento, que também é diretor executivo de produtos de investimento e previdência do Itaú Unibanco. Segundo dados da Anbima, do dia 16 de julho, 93,6% dos planos eram de renda fixa.

Na Brasilprev, a portabilidade foi responsável pelo ingresso de R$ 465 milhões nos planos em 12 meses. Mas, além da troca de composição de carteira, a seguradora aponta outro motivo para o aumento do tipo de operação. “O mercado brasileiro é peculiar. O investidor tende a colocar sua poupança para aposentadoria no banco onde é cliente. Ele até faz uma pesquisa, mas acaba comprando o produto do banco. Quando ele troca de instituição, com o tempo, vai migrando os investimentos”, explica o gerente de inteligência de mercado, Sandro Bonfim.

Em algumas seguradoras a portabilidade é tão significativa que já representa mais de 50% da captação de recursos em 2012. “Em certos momentos chegou a ser 70% do dinheiro novo dos planos. De janeiro a maio de 2012 em relação ao mesmo período de 2011, a portabilidade representa 59% da captação”, afirma a diretora de Previdência e Vida Resgatável da Mapfre, Maristela Gorayb.

A Mapfre, contudo, acredita que o maior motivo para a portabilidade é a escolha de planos de previdência com taxas menores. “Nosso carro chefe, o Corporate Renda Fixa, possui 1% de taxa de administração, o que permite que ele tenha uma rentabilidade de 5,40% no ano até junho. O ganho é maior, se comparado ao oferecido pelo CDI, em 4,60%”, diz. Maristela também conta que a taxa de saída é regressiva chegando a zero após 13 meses ou para uma carteira que some R$ 80 mil.

Entenda a portabilidade

As operações de portabilidade podem ser feitas entre planos de previdência que sigam o mesmo perfil, ou seja, entre VGBLs ou entre PGBLs, mas não de um para o outro. A configuração da carteira, porém, pode mudar. Se o investidor quiser migrar de um fundo com renda fixa para um com ações ou vice-versa é permitido.

Para isso, basta preencher um formulário da instituição que receberá o dinheiro. “A regra determina que o dinheiro deve estar disponível no novo banco em cinco dias úteis, mas o prazo médio segundo a Fenaprevi hoje está em 22 dias”, conta Maristela, da Mapfre. “Tentamos cumprir a regra porque a morosidade denigre a imagem da seguradora e acarreta uma multa diária por atraso”, diz.

“Há algum tempo a Fenaprevi tornou o processo mais simples, integrando as seguradoras numa plataforma online. Os processos são encaminhados por lá e a Fenaprevi acompanha e cobra multas por atraso da instituição de onde sai o dinheiro. O processo ficou mais transparente para o investidor”, comenta Bonfim, da Brasilprev.

 

 

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