Felsberg Advogados
Home | Temor leva bolsa a renovar mínima do ano
Publicações

Temor leva bolsa a renovar mínima do ano

A bolsa brasileira devolveu ontem os ganhos dos dois pregões anteriores e renovou sua mínima do ano, pressionada pelo mau humor externo. Dados fracos da China e preocupações com o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Rússia por causa da crise geopolítica na Ucrânia afetaram os mercados em Wall Street.

Aqui, as atenções estiveram voltadas à visita dos técnicos da agência Standard & Poor’s (S&P) a Brasília para avaliar a situação fiscal do país e decidir se mantêm ou rebaixam a nota de risco de crédito (“rating”) soberano.

As elétricas lideraram os ganhos, à espera do socorro do governo para compensar os gastos com o uso da geração térmica, e impediram um recuo maior do Ibovespa. O pacote de medidas foi anunciado logo após o fechamento do pregão.

“A queda aqui só não foi maior do que das bolsas em Nova York graças às elétricas”, observou o estrategista da SLW Corretora, Pedro Galdi. CPFL Energia ON (4,45%) puxou a fila do setor, seguida de Light ON (4,34%), Tractebel ON (3,43%), Cemig PN (3,31%), Energias do Brasil ON (3,17%) e Eletropaulo PN (3,11%).

O Ibovespa fechou em baixa de 0,91%, aos 45.444 pontos, com volume de R$ 5,743 bilhões. Nesse ritmo, a bolsa deve fechar a semana com perda acima de 1,7%. No mês, o Ibovespa já perde 3,5% e, no acumulado de 2014, o recuo alcança 11,8%. Vale lembrar que, em todo ano de 2013, a Bovespa registrou baixa de 15,5%.

Entre as principais ações do índice, Vale PNA registrou baixa de 2,11%, para R$ 25,90; Petrobras PN perdeu 1,57%, a R$ 13,11; e Itaú PN caiu 1,34%, para R$ 30,09.

“Os mercados caíram com os temores de desaceleração na China e piora da crise na Ucrânia”, comentou Galdi. O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que os EUA e a União Europeia podem tomar passos “muito sérios” contra a Rússia, caso “não haja sinais” de resolução da crise na Ucrânia.

A península da Crimeia terá um referendo no domingo para definir se a região deixa de estar sob o controle ucraniano e passa a fazer parte da Rússia. Apesar da pressão ocidental, Moscou tem dito que respeita o direito de autodeterminação da Crimeia, uma região de maioria étnica russa.

Na China, a produção industrial do país cresceu 8,6% no ano em janeiro e fevereiro, abaixo da expectativa de 9,5% dos analistas. As vendas no varejo cresceram 11,8% nos dois primeiros meses do ano, em uma base anual, ante expectativa de 13,5% para o período. Os investimentos em ativos fixos também cresceram abaixo do esperado.

Segundo pesquisa feita com 49 economistas pelo “The Wall Street Journal”, 27 deles citaram o enfraquecimento da China como a maior ameaça para a recuperação da economia dos Estados Unidos. “Há instabilidade financeira concreta na China, o que representa grandes riscos para a perspectiva global”, disse a economista Julia Coronado, do BNP Paribas, ao jornal.

Em Wall Street, o índice Dow Jones terminou em baixa de 1,41%, para 16.109 pontos; o Nasdaq recuou 1,46%, para 4.260 pontos; e o S&P 500 caiu 1,17%, para 1.846 pontos.

 

Fonte: Valor Econômico de 14.3.2014.

Topo Voltar