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TAM vai aumentar oferta de assentos para Miami em 60%; leia entrevista

Mariana Barbosa – Folha de São Paulo

Enquanto encolhe sua oferta no mercado doméstico –em 2% neste ano e em mais 7% no ano que vem–, a TAM se prepara para ampliar a oferta para os Estados Unidos. Até o final do mês, a oferta de assentos da companhia na rota São Paulo-Miami vai aumentar em 60%.

O aumento se dará com a entrada em operação, nesta rota, dos novos Boeings-777. O jato tem capacidade para 362 assentos, ante 223 do Airbus-330 usado atualmente. O avião será usado nos dois voos que a companhia oferece por dia entre São Paulo e Miami.

“O mercado internacional, principalmente nas rotas para os Estados Unidos, foi menos afetado pela crise e a demanda continua relativamente alta”, diz o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna. “Vamos aumentar a capacidade em rotas já consolidadas, principalmente para os Estados Unidos.”

Segundo Bologna, o aumento da operação no mercado internacional deverá reduzir o impacto das demissões que devem acompanhar a redução da oferta no mercado doméstico no ano que vem. Segundo o executivo, ainda é cedo para falar em quantos postos de trabalho serão eliminados no ano que vem.

“Só depois de avaliarmos os efeitos conjuntos do aumento da oferta internacional com a redução no doméstico é que teremos uma figura mais clara da dimensão dos ajustes no quadro de pessoal”, disse.

Bologna explica que o corte de oferta de 7% no mercado doméstico no ano que vem se dará com a redução da frota e também do número de horas voadas por aeronave. A frota doméstica que hoje conta com 115 aviões, sendo um de reserva, vai encolher para 112 aeronaves, sendo três de reserva. E cada avião voará 20 minutos menos.

Bologna garante que a companhia não deixará de atender nenhum destino. “Vamos reduzir as frequências improdutivas.”

O ajuste de 2% realizado este ano já surtiu efeito na taxa de ocupação das aeronaves da TAM. A taxa, que era de cerca de 60% no começo do ano, alcançou 78% em setembro. O desempenho ficou acima da média da indústria, superando a Gol (73,31% de ocupação) e a Azul (77,89%), atrás apenas da Avianca (80,6%).

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Ao reduzir 2% a oferta este ano, a TAM conseguiu aumentar a taxa de ocupação, de cerca de 60% no começo do ano, para 78% em setembro, acima da média da indústria. Qual a meta de vocês para a taxa de ocupação? Dá para ter lucro com 78%?

MARCO ANTONIO BOLOGNA – Trabalhamos com uma perspectiva de taxa de ocupação entre 75% e 80%. A redução da oferta foi uma forma de nos adequar à nova realidade do mercado para podermos restabelecer a rentabilidade das operações. A indústria de aviação vem sofrendo sucessivos choques de custos nos últimos anos. Este choque se acentuou em 2012, quando três grandes componentes dos nossos custos sofreram variações muito significativas: preço do combustível (alta de 50% em real), dólar (valorização de 20% frente ao real) e tarifas aeroportuárias e de navegação (aumento de 150% em janeiro). Além disso, a demanda por transporte aéreo desacelerou acompanhando o PIB brasileiro. O crescimento que, historicamente, vinha na casa de dois dígitos, desacelerou significativamente e deve fechar o ano perto de 7%. Nesse cenário, as companhias aéreas se viram diante de uma equação bastante complexa: repassar o aumento de custos em preços. Porém, o mercado brasileiro ainda é muito elástico, quando aumenta o preço, a demanda cai.

Esse corte adicional de 7% previsto para 2013 é para compensar a dificuldade em repassar os 10% para o preço das passagens? Ou é preciso aumentar o preço médio das passagens em 10% e ainda cortar 7% da oferta?

A diminuição em 7% da nossa capacidade no próximo ano é necessária por todos os fatores que expliquei anteriormente: o cenário econômico é diferente do que tínhamos até 2009, quando era possível estimular tráfego por meio de aumento de capacidade, mantendo a saúde da indústria. O mercado mudou e precisamos de mais disciplina na oferta. Todo o mercado percebeu isso e está se adequando. Manter uma forte disciplina de capacidade é o melhor caminho para a rentabilidade dada a dificuldade de repassar o aumento de custos para o preço da passagem.

Se a economia se recuperar no ano que vem e o mercado absorver os 10%, o corte de oferta pode vir a ser menor? Ou a companhia não trabalha com essa possibilidade?

A taxa de ocupação que a indústria aérea brasileira vem trabalhando nos últimos anos é muito baixa quando comparada a mercados mais maduros. Historicamente, o Brasil opera com uma ocupação na casa de 70% dos seus assentos. Para qualquer empresa, voar com 30% de seus assentos vazios consistentemente representa uma grande destruição de valor, dado que o custo de operar uma aeronave é bastante fixo. Sendo assim, mesmo que a demanda volte a crescer, ainda existem muitos assentos ociosos na oferta atual para que indústria brasileira esteja entre as mais eficientes no mundo em termos de aproveitamento do capital empregado.

Em que mercados se dará o corte de 7% de oferta?

O ajuste de 7% se dará apenas na malha doméstica. Ele será feito diminuindo a quantidade de horas voadas por aeronave em cerca de 20 minutos, reduzindo frequências e o número de aeronaves em operação. Não deixaremos de atender nenhum destino, mas vamos reduzir frequências improdutivas. Por fim, hoje temos 115 aviões em nossa malha doméstica, sendo um de reserva. No próximo ano teremos 112 aeronaves, sendo três de reserva. Essa última medida visa também a melhorar ainda mais nossa pontualidade e regularidade, oferecendo um serviço cada vez melhor aos clientes.

Quantos funcionários a TAM tinha em 31 de dezembro de 2011 e com quantos deve terminar este ano (ou qual o saldo hoje)? No saldo do ano, houve ou haverá redução no quadro de tripulantes?

Encerramos 2011 com 29 mil funcionários, dos quais cerca de 8.500 eram tripulantes. Atualmente, temos mais de 30 mil funcionários, sendo que o número de tripulantes se manteve praticamente constante. Não houve redução no quadro porque os ajustes de capacidade na malha doméstica deste ano foram compensados pelo aumento das rotas internacionais. Adicionamos à nossa frota quatro Boeings-777 neste ano, para aumentar a capacidade em rotas internacionais já estabelecidas.

O corte de pessoal no ano que vem será da mesma ordem de grandeza do corte de oferta?

Para o próximo ano, vamos continuar aumentando a capacidade nas rotas internacionais (traremos mais dois Boeings-777) e este fato deve minimizar o impacto da redução de capacidade do mercado doméstico na necessidade de diminuição de pessoal. Só depois de avaliarmos os efeitos conjuntos desta variação teremos uma figura mais clara da dimensão dos ajustes no quadro de pessoal. Não temos nenhum plano concreto nesse momento.

Tem algum mercado ou segmento mais resistente ou que não esteja sendo tão afetado pela crise?

O mercado internacional, principalmente nas rotas para os Estados Unidos, foi menos afetado pela crise e a demanda continua relativamente alta. Por isso, mantivemos nosso investimento em frota internacional, trazendo quatro Boeing 777 neste ano e dois em 2013. Vamos aumentar a capacidade em rotas já consolidadas, principalmente para os Estados Unidos.

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