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Suzano vende Ripax à rival em dificuldades

Valor Online

Suzano vende Ripax à rival em dificuldades

SÃO PAULO – A marca Ripax, uma das mais famosas no ramo de papéis, foi vendida à Nobrecel, uma fabricante em sérias dificuldades financeiras. O anúncio foi feito ontem pela Suzano Papel e Celulose, que conduziu o processo de alienação da marca.

A transação faz parte das exigências impostas pelo Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade) para aprovar a venda da Ripasa, que foi adquirida pela Suzano e a Votorantim em 2004.

A marca Ripax é usada em papéis de imprimir e escrever não revestidos no formato ” cut size ” (o tradicional papel A4). Depois da venda da Ripasa, o mercado acabou concentrado em duas grandes empresas, e a transferência da Ripax a um rival menor não deverá mudar esse panorama.

Com fábrica em Pindamonhanga (SP), a própria Nobrecel admite em seu balanço de 2007 dificuldades financeiras. Em relatório divulgado na última sexta-feira, a diretoria da Nobrecel alerta para a necessidade de um aporte de capital dos acionistas para fazer frente ao ” plano de recuperação de normalidade financeira ” .

A Nobrecel, que é controlada e dirigida pela família De Zorzi, diz esperar a ajuda dos acionistas para ” melhorar o nível de capital de giro ” e ” continuar a solver suas obrigações e possibilitar a continuidade normal de seus negócios. ”

A empresa, cujo prejuízo líquido subiu de R$ 8,2 milhões em 2006 para R$ 31,4 milhões em 2007, teve faturamento de R$ 170 milhões de 2007, uma alta de 1,7%. A Nobrecel, que está incluída no Refis federal e paulista, acumulava dívida de curto prazo de R$ 21,6 milhões com bancos. Em dezembro, tinha R$ 1 milhão em caixa.

A Suzano, que ficou com a marca depois da reestruturação da Ripasa, não revelou os detalhes da operação de venda da marca, alegando cláusula de confidencialidade no contrato. A empresa, que não deu entrevista para comentar o assunto, informou que sua produção de papéis Ripax será convertida para outras de suas marcas.

Antes de sair a decisão do Cade, em novembro de 2007, obrigando a vender a marca, a Suzano relutava a se desfazer da Ripax. Seu interesse era incorporar à sua linha de papéis da marca Report. Advogados da Suzano chegaram a indicar ao órgão antitruste que a Ripax valia cerca de R$ 40 milhões.

A Ripasa foi uma das últimas fabricantes a lançar sua marca de papéis no mercado doméstico, o que ocorreu em 1993. Por conta disso, teve de lançar uma intensa campanha na mídia utilizando do slogan ” Sem Ripax não dá ” .

Em pouco tempo, a fatia de mercado cresceu e ela passou a deter mais de 20% de participação de mercado de papéis ” cut size ” , quase o mesmo percentual que Suzano e Votorantim tinham quando compraram a Ripasa. Hoje, segundo apurou o Valor, a fatia da Ripax gira em 8%.

A Nobrecel terá um duro desafio para manter essa participação. Estima-se que a empresa tenha cerca de 1% de participação no mercado nacional de ” cut size ” . Sua capacidade de produção atinge 12 mil toneladas por ano, insuficiente para manter essa fatia caso não faça investimentos adicionais.

” Definitivamente a marca Ripax foi sepultada ” , disse uma fonte ligada à distribuição de papéis no Brasil. Procurada, a Nobrecel não retornou os pedidos de entrevista.

Com o menor interesse da Votorantim pelo mercado de papel, que decidiu focar em celulose, as vendas domésticas de ” cut size ” são dominadas pela Suzano e a fabricante americana International Paper (IP), dona da marca Chamex. O mercado movimentará quase R$ 600 milhões neste ano. Mesmo com a alta de 80% nas compras externas em 2008, o importado responde por menos de 6%.

O processo de venda da marca foi conduzido pela Suzano e, conforme apurou o Valor, não houve grande interesse pela Ripax. O que afastou os competidores foi a alta exigência de investimentos frente aos produtores integrados de celulose e papel que já atuam no mercado e mantêm canais de distribuição no país.

Além da venda da Ripax, outra condição sugerida pelo Cade para aprovar a compra da Ripasa foi pedir ao Ministério do Desenvolvimento que estude a redução dá alíquota de importação de 16% para zero. Mas o ministério não tomou posição sobre o assunto.

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