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Suíço Julius Baer compra controle de brasileira GPS

Por Luciana Seabra

Quase três anos depois de ter comprado 30% da GPS, maior gestora de fortunas independente do Brasil, o grupo suíço Julius Baer assumiu o controle da empresa, ao ampliar sua participação para 80%. O valor da transação não foi divulgado. Com um modelo de negócio similar ao da GPS, que administra R$ 17 bilhões, o Julius Baer é o maior private banking independente da Suíça, com 254 bilhões de francos suíços sob gestão, o equivalente a R$ 668 bilhões.

Os 20% restantes da GPS ficam com os 21 sócios brasileiros, sendo os principais os fundadores José Eduardo Martins, Marco Belda e Roberto Rudge. “O interesse do Julius Baer é de preservar todos esses profissionais e reforçar a empresa”, disse ao Valor Gustavo Raitzin, responsável pela América Latina no Julius Baer. Ele não nega o desejo de comprar os outros 20%, mas diz que a preocupação maior agora é garantir a permanência dos brasileiros na gestão da empresa.

Raitzin vai presidir o conselho de administração da GPS, que passa de sete a quatro membros. O diretor financeiro do Julius Baer, Dieter Enkelmann, e o diretor de risco, Bernard Hodler, assumem dois assentos e o terceiro fica com Martins, da GPS. A empresa passa a ter também um comitê executivo com cinco membros da GPS e dois do Julius Baer. Um deles é Marc Braendlin, chefe de Brasil do grupo, que se muda para o país em outubro.

Braendlin vai se dedicar principalmente ao escritório da GPS no Rio, que acaba de dobrar de tamanho. A gestora terá também escritório em Belo Horizonte a partir de abril e planeja se estabelecer em Porto Alegre. O foco se mantém em clientes com mais de R$ 3 milhões em patrimônio financeiro.

A marca GPS permanece, acrescida da assinatura “uma empresa do grupo Julius Baer”. De imediato, os suíços vão apostar no crescimento orgânico no Brasil. A ideia inicial é ampliar o número de funcionários de 125 para 150. O grupo não descarta outras aquisições. O desafio, diz Raitzin, é encontrar no Brasil empresas com o mesmo modelo de negócio, em que se busca evitar o conflito de interesses na composição do portfólio por meio da falta de produtos próprios e da transparência na remuneração.

O volume de recursos sob gestão da GPS cresceu 35% em 2013, período de poucos eventos de liquidez como aberturas de capital. “Estamos em anos de rouba-monte, em que pesa a venda de um conceito diferente de gestão. Nosso crescimento é em cima dos bancos”, diz Martins. A venda para o Julius Baer, aposta, vai tornar a estrutura mais robusta e ampliar o acesso a ativos de fora, cada vez mais demandados pelos clientes.

O mercado de gestores de fortunas independentes é pequeno no Brasil. Somava R$ 58,87 bilhões em junho de 2013, último dado da Anbima, associação do setor. O valor correspondia a 11% dos R$ 532,43 bilhões do private banking, que cresceu 9,5% em 2013, em desaceleração ante mais de 20% nos três anos anteriores. Na Suíça, a fatia dos independentes é de 20%.

Com a geração mais lenta de fortunas na Europa, o Julius Baer, com escritórios em 25 países, tem ampliado a presença em mercados de maior crescimento, como o latino e o asiático. Eles vão responder por cerca de 50% do valor administrado até o fim do ano, com a integração da gestão de fortunas do Merrill Lynch, comprada em 2012. O grupo busca agora oportunidades de aquisição no México.

Fonte: Valor Econômico do dia 25.03.2014

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