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Spreads de renda fixa seguem na cola do Fed

Os spreads dos títulos de renda fixa dos países da América Latina devem continuar a subir em 2014, impactados pelo fortalecimento da economia americana e contínua redução dos estímulos do Federal Reserve. Para analistas, o impacto não será tão grande quanto o do ano passado, mas a tendência continua sendo de encarecimento nos custos de captação dos emissores dessas economias.

Na opinião dos estrategistas de mercados emergentes do BNP Paribas, as taxas de juros futuras dos Estados Unidos continuarão a subir neste ano. Conforme o ajuste ocorrer, as curvas de juros dos países da América Latina, e dos emergentes como um todo, serão impactadas e a tendência é que o prêmio de risco desses países continue aumentando. “Uma alta nas taxas de juros de longo prazo dos EUA terá um impacto na parte de trás das curvas de juros locais da América Latina. Acreditamos que o ajuste nas taxas americanas está apenas no começo”, afirmam os analistas, em relatório.

A maioria dos governos da América Latina, segundo o BNP, recentemente tomou medidas para reduzir a sensibilidade ao aperto das condições monetárias internacionais, mas o impacto não pode ser totalmente evitado. O Brasil, afirmam, é o país mais vulnerável a uma alta nos juros americanos.

Sob o modelo do banco, uma alta de 100 pontos base no retorno do Treasury de 10 anos teria um impacto positivo permanente de 324 pontos base nos títulos brasileiros equivalentes, enquanto nos papéis do México a alta seria bem menor, de 184 pontos base. “Com riscos internos e externos, o Brasil é o país em que a curva [de juros] local vai inclinar mais”, afirmam os estrategistas, concluindo que preferem investir no México ao Brasil. “O resultado [do estudo] reforça nosso viés negativo com a curva [de juros] brasileira.”

Já para o HSBC, os retornos dos títulos de renda fixa da América Latina, tanto soberanos quanto corporativos, serão atraentes em 2014. Segundo os estrategistas do banco, a fase de crescimento baixo na região ficou para trás e a partir de agora essas economias devem se fortalecer moderadamente. Além disso, afirmam eles, a avaliação desses títulos é atraente o suficiente para manter os investidores interessados.

A expectativa do HSBC é que os títulos de dívida internacionais dos emissores da América Latina apresentem um retorno médio entre 4% e 7% no ano e os domésticos, de 5% a 6%. Os maiores retornos deverão ser observados no México (acima de 9%), seguido por Uruguai (8%) e Peru (7%). Os rendimentos mais baixos provavelmente virão dos títulos brasileiros (abaixo de 5%), Colômbia (3%) e Chile (2%).

Os estrategistas do Citibank também acreditam que os retornos dos títulos locais dos países emergentes subirão em resposta à mudança no cenário monetário internacional. “Acreditamos que se os retornos dos Treasuries de 10 anos subirem para 3,3%, os retornos dos títulos de países emergentes de 5 anos irão subir, em média, 42 pontos base”, afirmam, em relatório. Com a alta, os retornos desses títulos serão interessantes, pagando 6,6% em média em 2014.

Fonte: Valor Econômico de 3.1.2014.

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