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Sofisa afirma que LCI tem lastro em crédito imobiliário

Por Karla Spotorno

O diretor-presidente do Banco Sofisa, Gilberto Meiches, afirmou que a totalidade das Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) emitidas pela instituição estão lastreadas por operações de financiamento imobiliário. A informação foi dada em entrevista ao Valor ontem, em reação à publicação da reportagem “Banco emite LCI sem lastro em crédito imobiliário”.

A informação do presidente contradiz declaração anterior de outro executivo do banco à reportagem. Em 16 de julho, Bazili Swioklo, diretor do Sofisa, havia afirmado que o “lastro das nossas LCIs é o imóvel dado em garantia nos empréstimos que concedemos para nossos clientes”. Na ocasião, o executivo informou que os empréstimos eram de diversas modalidades, como, por exemplo, de capital de giro, e que contavam com imóveis dados em garantia pelos tomadores. Consultado novamente na terça-feira, o banco preferiu não colocar um porta-voz à disposição, mas reafirmou a informação de Swioklo.

Gilberto Meiches disse ontem que, de fato, há uma discussão no mercado financeiro sobre a possibilidade de as instituições emitirem LCIs lastreadas em operações que não sejam de crédito imobiliário, como relatou a reportagem. Segundo ele, a polêmica já foi discutida internamente pelo banco e que a decisão foi restringir as emissões a papéis lastreados em créditos imobiliários. “Enquanto não houver um esclarecimento [sobre o tema], vamos seguir estritamente o que diz a lei”, afirmou Meiches. A lei à qual o executivo se refere é a 10.931. No artigo 12, a legislação determina que as instituições, autorizadas pelo Banco Central, “poderão emitir LCI, lastreada por créditos imobiliários, garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de coisa imóvel”.

“Hoje, temos uma gordura de lastro. O que temos em crédito imobiliário está em torno de 107%, 108% do total captado via LCI”, afirmou Meiches. O banco tem atualmente um estoque de R$ 78,1 milhões em LCIs emitidas. O executivo explicou também que os lastros são administrados individualmente, a fim de evitar o descasamento entre os financiamentos e as letras emitidas.

Até o fim da tarde de ontem, o site do banco informava aos investidores que o “lastro da LCI é um imóvel, comercial, residencial ou industrial, que foi dado em garantia de operação de financiamento, e, com base no valor destes bens, o banco faz a emissão de LCIs”. Em entrevista ontem o presidente do banco disse que o texto do site estava errado e seria corrigido. No início da noite, o texto foi substituído, passando a informar que a “LCI é lastreada por créditos imobiliários garantidos por alienação fiduciária de bens imóveis”.

Meiches esclareceu também que o lastro dos títulos é o saldo da carteira de crédito imobiliário do banco e não o valor dos bens imóveis, como dizia o texto no site e também havia afirmado o diretor do banco. Sem precisar o número, o executivo afirmou que o valor das garantias imóveis alienadas ao banco supera “seguramente 150% do total captado via LCI”.

 

Valor Econômico de 9.8.2012.

 

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