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Setores cíclicos já aparecem nas recomendações

Por Flavia Lima

Após um longo período jogando na defensiva, analistas de bancos e corretoras locais, ao lado de casas de análise estrangeiras, começam, com cautela, a voltar suas atenções para alguns papéis de empresas que pertencem a setores bastante sensíveis aos ciclos econômicos e são, portanto, mais voláteis, como petróleo e gás, mineração e papel e celulose.

Em sua carteira “Top 5” de agosto, a Itaú Corretora, por exemplo, faz um movimento típico nesse sentido ao optar por substituir as ações da companhia de bebidas Ambev pelos papéis da mineradora Vale. Para a corretora, diante de um cenário de maior otimismo, seria a hora de aumentar um pouco a exposição a um papel que ficou para trás no movimento mais recente de alta do Ibovespa e também pode se beneficiar de uma entrada mais expressiva de recursos estrangeiros na bolsa – no dia 9, os estrangeiros aplicaram liquidamente R$ 188,669 milhões na bolsa, embora no mês o saldo ainda seja negativo (ver página C2).

A preferência da Itaú Corretora recai sobre as ações ordinárias da Vale, pois os papéis com direito a voto estariam sendo negociados com desconto acima da média histórica em relação às preferenciais série A – as mais líquidas. “Nossa preferência relativa pela Vale é sustentada pela baixa alavancagem da empresa, aliada a múltiplos relativamente atrativos e um bom retorno em dividendos esperado, de 5,4% pelos próximos três anos”, dizem os analistas em relatório.

Segundo a equipe, os preços de minério de ferro devem apresentar recuperação no segundo semestre, afetando positivamente a empresa. Assim, o preço justo para o papel é de R$ 46,00, com um potencial de alta ao redor de 20%.

Outro que ameniza o tom defensivo de suas recomendações é o BB Investimentos. A casa que tinha os papéis da Petrobras “em revisão”, alterou a recomendação para “em linha com o mercado”. O potencial de alta para os papéis preferenciais em dezembro de 2013 é de cerca de 24%, tendo em vista um preço-alvo de R$ 26,00. “Mas caso um novo reajuste dos combustíveis ocorra o potencial de alta pode ser maior”, diz o analista do BB Investimentos, Nataniel Cezimbra.

O analista avalia que o plano de negócios da companhia ficou mais realista, mas ressalta que a produção no curto prazo deve continuar instável. O foco é o longo prazo. “Em relação à produção, estimamos uma curva mais estável nos próximos dois anos e um crescimento mais intenso entre 2014 e 2016, que se deve ao ganho de produtividade dos novos projetos ao longo do tempo”.

Os papéis da Fibria e da Suzano também deixaram o campo da revisão do BB Investimentos e ganharam indicações “acima da média do mercado”, com potencial de valorização ao redor de 20% para Fibria e de mais de 50% para a Suzano. A cautela, contudo, predomina. “Neste momento, acreditamos que acompanhar os principais ‘drivers’ do setor e manter a cautela na hora de investir são os principais fatores a se considerar na tomada de decisão”, diz o analista Victor Penna, em relatório.

Entre as casas estrangeiras, o Bank of America Merrill Lynch destaca alguns setores da bolsa brasileira como excessivamente subvalorizados (ou “oversold”). A recomendação de compra, contudo, não vale para qualquer investidor. Segundo o BofA, o foco são investidores dispostos a remar contra a maré do mercado – os chamados “contrarian investors”. O cuidado é válido porque, mesmo diante das recuperações mais recentes, os papéis ainda estão sujeitos a fortes oscilações e devem, dessa forma, ser vistos como oportunidades de longo prazo.

Entre as indicações do BofA aos investidores que buscam tendências contrárias, despontam as ações dos setores de energia (que inclui petróleo e gás) e de materiais básicos – categoria que inclui empresas que processam matérias-primas para, por exemplo, os segmentos de mineração e petroquímico. Segundo o BofA, esses segmentos despontam entre os mais desvalorizados do mundo, ao lado de telecomunicações e de serviços públicos da zona do euro e de materiais básicos do Canadá. Segundo o relatório, o setor de energia no Brasil é negociado 26,9% abaixo de sua média móvel de duzentos dias, e o de materiais básicos, 22% abaixo de sua média móvel em igual período.

As estratégias de investimento menos defensivas, no entanto, estão longe de ser um consenso entre as casas de análise. Em suas dez ideias de investimentos em ações para o mês de agosto, o BTG Pactual mantém o foco em empresas voltadas para o consumo doméstico e que combinam operação de qualidade, posição competitiva e receitas recorrentes – elas correspondem a 70% do portfólio de agosto do banco, ante 60% do portfólio do mês anterior.

A mudança mais significativa do mês foi justamente a remoção de Vale da carteira, após os resultados insatisfatórios do segundo trimestre. A casa, contudo, manteve exposição a algumas empresas que ganham com um dólar mais forte. Além de Fibria e Minerva, o BTG Pactual adicionou Embraer às apostas de agosto. Na mesma linha, a XP Investimentos também retirou os papéis da Vale de sua carteira semanal e no lugar recomenda exposição às ações da Randon.

Na semana, o Deutsche Bank também anunciou a revisão de recomendação para Amil, de “comprar” para “manter”. O preço-alvo para o papel foi reduzido de R$ 23,50 para R$ 20,50. Outros preços-alvos reajustados pelo banco foram os de Duratex (de R$ 11,50 para R$ 13,50), Magazine Luiza, de R$ 12,00 para R$ 12,50, e o ADR (recibo de ações) da TIM Participações, que teve o preço reajustado de US$ 35 para US$ 32.

Valor Econômico de 14.8.2012.

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