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Sem IPO, Manabi prepara nova oferta privada

Por Ivo Ribeiro e Natalia Viri

 

O próximo passo da Manabi Holdings, mineradora pré-operacional, após cancelar seu pedido de oferta inicial de ações (IPO), será fazer uma oferta privada de ações. O valor da operação, já em fase bastante avançada, conforme apurou o Valor, poderá variar de US$ 100 milhões a US$ 400 milhões. Busca-se recursos suficientes para tocar o projeto por mais um ano, incluindo a fase de prospecção e estudos geológicos das jazidas em poder da empresa.

Segundo informações, há interessados o suficiente para fechar a oferta, mas o processo vai respeitar direitos de subscrição dos atuais acionistas. Esse processo vai levar cerca de dois meses para finalizar. Nessa oferta, pode haver a entrada de novos investidores ou aporte dos atuais sócios.

O processo de IPO foi registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em maio e previa listagem no Novo Mercado, além de emitir ADRs para investidores americanos e uma oferta de recibos globais de ações no Canadá.

O plano de negócios da Manabi prevê investimentos de US$ 4,1 bilhões até 2016 em duas minas de minério de ferro em Morro do Pilar e Morro Escuro (MG). A expectativa é que as minas comecem a operar até o fim de 2016, com produção estimada de 31 milhões de toneladas por ano.

Em junho de 2011, a empresa levantou R$ 759 milhões em uma oferta privada de ações nos EUA, que permitiu a entrada de estrangeiros, a maioria canadenses. Ao fim de junho, a companhia ainda tinha R$ 146,7 milhões em caixa.

A Manabi foi criada em março de 2011 por Ricardo Antunes Carneiro Neto, que trabalhou 22 anos na Vale e foi co-fundador de LLX e MMX, do grupo EBX. A Fábrica Holdings, fundo de investimentos liderado por Carneiro, tem 60% das ações ordinárias da empresa e 19,13% do capital total. Michael Vitton e Mathew Goldsmith, canadenses que participaram da criação da HRT e foram do conselho da MMX, têm cada um 20% de ações ON e 7% do total.

O fundo de pensão dos professores de Ontario tem 21% do capital total e o fundo soberano da Coreia do Sul, outros 12,5%. Fundos geridos pela Southeastern Asset tem mais 13% do capital.

A suspensão do IPO, segundo a Manabi, se deveu “às incertezas econômicas apresentadas ao mercado financeiro brasileiro e internacional nos últimos meses”. Com isso, engrossa a lista de empresas que desistiram de estrear na bolsa este ano ou adiaram oferta. A CPFL Energias Renováveis, a rede de farmácias Pague Menos e a Biosev estão entre as que chegaram a entrar com pedido de oferta, mas voltaram atrás. 

Valor Econômico de 20.8.2012.

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