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Sem encomendas, perspectivas de venda da indústria para o Natal ainda é incerta

Após primeiro semestre fraco, vários setores evitam fazer projeções

SÃO PAULO – A quatro meses do Natal, as encomendas aos setores industriais mais beneficiados pelas vendas do varejo no período ainda são incertas e retratam um clima de pessimismo e cautela do empresariado. Após um primeiro semestre fraco, vários setores da indústria ainda não receberam encomendas para as festas e evitam fazer projeções para vendas.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário (Sindivestuário), Ronald Masijah, a perspectiva é de um “decréscimo fortíssimo” nas encomendas para o Natal, principal época das vendas do setor no ano. “Nessa época, no ano passado, as empresas já estavam recebendo as encomendas, comprando os tecidos e em produção. Mas não existe movimentação alguma e mal houve encomenda para o Dia dos Pais”, disse Masijah.

No setor eletroeletrônico, as encomendas para o final do ano começam a ser feitas entre setembro e outubro, mas a expectativa da indústria é pessimista pelo desempenho até agora em 2012. Segundo Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica(Abinee), a previsão no final de 2011 era de que as vendas do setor crescessem 11% em 2012. Agora a estimativa é de alta de 8%, no máximo. Sondagem feita pela Abinee com 100 empresas do setor e publicada em junho mostra que 47% esperam vendas maiores em 2012 do que em 2011, ante 63% em maio e 78% em janeiro.

No setor calçadista, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), Carlos Mamoru Ajita, proprietário da rede de lojas Casas Ajita, no Paraná, após o balanço das vendas no Dia dos País, no próximo domingo (12), será possível ter uma estimativa de encomendas para o final do ano. Normalmente, de acordo com ele, é a partir da Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios (Francal), em junho, que o varejo começa a fazer encomendas que receberão nos meses de outubro e novembro. Mas este ano, com inverno ameno, as vendas foram fracas. “A tendência agora é buscar um resultado positivo com a coleção de verão”, disse.

Se tudo correr bem, disse o presidente da Ablac, as vendas do setor no segundo semestre deverão fechar com um crescimento médio de 3%. No fechamento do ano, a previsão é de uma expansão média de 2% já que, nos primeiros seis meses do ano, as vendas cresceram apenas 0,6% em relação ao mesmo período do ano passado. “Nossa previsão no começo do ano era crescer 3,5%.

Vestuário

Assim como em outros setores, a concorrência com os importados, principalmente os chineses, é a principal justificativa para o pessimismo do setor de vestuário. Nem mesmo a alta recente do dólar anima o presidente do Sindivestuário. “Isso que subiu é uma piada”, avaliou Masijah. A produção física do setor no primeiro semestre caiu 12,8% ante igual período do ano passado e as importações avançaram em 30%. Em valores, a receita de importados cresceu 39%. O setor pede uma desoneração tributária e ainda a adoção de salvaguardas na importação de vestuário.

Do lado do comércio, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) informou à Agência Estado, em nota, que “está com uma visão positiva do mercado e que e as redes devem buscar no segundo semestre resultados mais significativos”, mas não faz projeções. A entidade criticou a posição do Sindivestuário, defendeu as importações e cobrou uma “modernização da indústria têxtil nacional, que hoje se mostra incapaz de atender a determinadas demandas, por não deter a tecnologia nem os materiais encontrados em outros países”.

Brinquedos

Ainda cautelosa após a perda do mercado interno para os importados, a indústria brasileira de brinquedos aposta na alta do dólar e nos cerca de 1.800 lançamentos de 2012 para enfrentar a concorrência externa e crescer de 11% a 13% em receita no Natal ante 2011, para R$ 2,2 bilhões. “As encomendas para o Natal começam em setembro, mas esperamos um crescimento no mesmo ritmo do Dia das Crianças, ajudado ainda demanda interna”, disse o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa.

Segundo ele, caso as perspectivas se confirmem, a receita do setor deve fechar 2012 em R$ 7,1 bilhões, alta de 12% sobre 2011. “Como o primeiro semestre foi fraco, a recuperação total só deve vier em 2013, se o dólar vai nos ajudar”, concluiu.

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