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Refis ajuda Bradesco e Santander

Bradesco e Santander aproveitaram os ganhos trazidos com a adesão ao Refis, programa especial de parcelamentos de débitos com a União, para fazer uma série de ajustes em seus balanços. Cerca de R$ 2,25 bilhões vindos da entrada no Refis ajudaram as instituições, principalmente o banco da Cidade de Deus, a arrumar a casa no fim do ano passado.

Ao desistir de parte das discussões judiciais que mantinham em torno do pagamento do PIS e Cofins, os bancos puderam reverter provisões. A opção das instituições financeiras foi por aderir ao Refis em ações cujo valor a ser pago dentro do programa fosse inferior às provisões para débitos fiscais já feitas em seus balanços. Isso porque essa diferença pôde ser revertida, gerando ganhos de resultado.

Nenhum dos bancos admite que aproveitou o reconhecimento dos recursos do Refis para fazer os ajustes. Mas, coincidência ou não, o programa amenizou os impactos negativos que algumas das mudanças feitas por Bradesco e Santander trariam nos números do quatro trimestre.

No caso do Bradesco, a entrada no Refis colaborou com ajustes no último trimestre de 2013 que somaram R$ 13,6 bilhões, entre ganhos e perdas. Só o programa de parcelamento gerou um resultado positivo ao banco de R$ 1,95 bilhão.

Essa cifra ajudou o Bradesco a neutralizar parte do efeito trazido por mudanças feitas no balanço. A maior delas refere-se a perdas de R$ 6,1 bilhões causadas pela venda de R$ 41,9 bilhões em títulos. Mesmo com essa perda, a instituição teve um lucro líquido de R$ 3,079 bilhões, com alta de 6,4% na comparação com os últimos três meses de 2012.

O Bradesco explica que fez um “realinhamento de taxas a mercado” de parte de sua carteira de Notas do Tesouro Nacional. Em meio a um período de forte ajuste para cima nos juros dos títulos públicos desde meados do ano passado, as operações de tesouraria vêm trazendo impacto negativo para o Bradesco tanto no patrimônio líquido quanto no resultado.

Além do Refis, outros itens contribuíram para neutralizar o impacto dos ajustes nos títulos públicos no trimestre. Um deles é a aplicação de novas taxas de desconto para o passivo atuarial, seguindo determinação da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Isso trouxe um ganho de R$ 2,6 bilhões.

No equilíbrio entre fatores extraordinários que ajudaram e outros que prejudicaram o resultado no fim do ano, o Bradesco teve um saldo negativo de R$ 120 milhões.

No caso do Santander, além dos R$ 303 milhões em ganhos líquidos que colheu com o Refis, o banco também contou com R$ 1,205 bilhão líquidos que embolsou com a venda de sua área de gestão de recursos de terceiros para fazer ajustes.

O total de R$ 1,508 bilhão de receitas extraordinárias do quarto trimestre foi dividido em uma série de despesas, que, no final, somaram exatamente R$ 1,508 bilhão. Logo, os ganhos extraordinários não tiveram impacto no resultado do banco.

Uma fatia de R$ 593 milhões foi usada para criar um chamado “fundo de produtividade”, que o Santander usará para cobrir gastos com seu programa de ganho de eficiência.

“Com o fundo de produtividade, as despesas com projetos para ganho de eficiência não vão impactar o resultado do banco no curto prazo”, disse o vice-presidente de finanças da instituição, Carlos Galán. Tais despesas incluem contratação de consultorias, gastos com renegociação de fornecedores e mudanças de localização física de áreas do banco, exemplificou. “O projeto de eficiência é um projeto de longo prazo e o fundo vai impedir que isso afete os resultados no curto prazo”, afirmou Galán.

Além do “fundo de produtividade”, o banco também fez um ajuste no valor de ativos que resultaram em uma perda de R$ 283 milhões. Parte desses ajustes ocorreram por causa da “obsolescência e descontinuidade de sistemas”, afirmou o Santander no relatório de resultados. Outros R$ 632 milhões foram destinados à constituição de provisões diversas, incluindo reservas para de crédito de má qualidade.

No início deste ano, a Receita Federal anunciou a arrecadação à vista de R$ 12,06 bilhões com bancos e seguradoras que aderiram ao programa de recuperação de impostos. O número indica que, ao longo das próximas semanas, outras instituições financeiras também vão mostrar ganhos com a operação de parcelamento de impostos atrasados.

Fonte: Valor Econômico de 31.1.2014.

 

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