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Redes estrangeiras disputam hotéis de luxo no Rio

Valor Econômicos, Paola de Moura, 06/mar

Redes internacionais de hotéis que sonham em encontrar um cantinho ideal para colocar seus pés no Rio competem agora por dois empreendimentos que surgirão até 2014 na cidade. A Starwood com a marca W; a Wyndham, com o Wyndham Grand; a Hilton, com o Conrad; e a Trump, participam de uma disputa para colocar sua bandeira num hotel de alto padrão que será construído na Barra de Tijuca, pela Polaris. Já a Four Seasons está finalizando as negociações com a EBX de Eike Batista para operar o Glória Palace Hotel.

A disputa é tanta que as tradicionais exigências feitas pelos grupos estão sendo deixadas de lado em troca de ainda conseguir um bom ponto na cidade, onde a ocupação hoteleira beira os 90% o ano todo e só há 435 quartos de alto padrão: 346 no Copacabana Palace e outros 89 do Fasano. As propostas entregues à Polaris oferecem taxa de administração de até 1,25%, enquanto o mercado opera normalmente entre 3% e 6%. Além disso, as luvas chegam a R$ 10 milhões. Paulo Figueiredo Filho, diretor de Planejamento da Polaris, confirma as informações obtidas pelo Valor de que vem recebendo ofertas atrativas. Mas não revela se as marcas são as informadas por fontes por questão de confidencialidade.

A Polaris investirá R$ 235 milhões no novo hotel localizado na Barra. O empreendimento de 175 quartos será construído na avenida Lúcio Costa, de frente para o mar e na esquina da Praça do Ó, a cerca de 500 metros da praia do Pepê. No local, havia um prédio abandonado há 20 anos. A praça será revitalizada pela empresa, que investirá outros R$ 1,5 milhão. “Eu acredito em recuperação natural da região em função do investimento”, afirma.

A Polaris realiza uma concorrência entre as quatro redes. Figueiredo apresentou o empreendimento que terá uma suíte presidencial de 300 metros quadrados e todos os quartos com vista para o mar. Atualmente, a empresa analisa e renegocia condições e exigências, como o padrão dos quartos. “Vamos investir, só em mobiliário, R$ 150 mil em cada quarto e queremos ter o nosso padrão”.

A rede Starwood confirmou ter conversado com a Polaris, mas informou que as negociações são preliminares. Já o grupo Hilton diz ter interesse em ampliar sua atuação no Rio, sem dar detalhes das negociações. As redes Wyndham e Trump não responderam aos questionamentos do Valor.

Já o grupo EBX, desde 2008 vem reformando o Hotel Glória, agora batizado de Gloria Palace Hotel. Todo o prédio interno foi destruído, só restaram as fachadas e as colunas. A reforma deve custar R$ 300 milhões e a obra está prevista para ser entregue em 2014. O grupo EBX não comenta a informação, mas a Four Seasons confirmou que vem negociando com a empresa para ser a operadora.

No Rio, nos últimos anos, a demanda hoteleira não para de crescer. No entanto, a maior parte dos empreendimentos tem perfil econômico. Só a Accor vai construir nove hotéis até 2014. “O número de passageiros chegando nos aeroportos do Rio dobrou de 2002 para 2010. Mas o de quartos de hotéis não”, diz Figueiredo. A lei que proibiu a instalação de apart hotéis no Rio, decretada pelo prefeito Cesar Maia em 2007, fez o mercado praticamente parar. Só em 2010, com o anúncio da Olimpíada do Rio, o setor voltou a investir mais pesadamente.

“O investimento em um hotel bem feito gera retorno entre 15% a 20% ao ano”, analisa Paulo Figueiredo. O empresário conta que o hotel da Barra está projetado para ter receita por quarto (RevPar) de US$ 400 (R$ 800), isto com uma tarifa média de US$ 500 (R$ 1.000).

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