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Recuperação do Ibovespa muda tendência de baixa

Ainda que a semana passada tenha começado com uma realização de lucros após o Ibovespa ter feito nova máxima de fechamento para o ano (52.155 pontos), o mercado consolidou a quarta alta consecutiva para o período. Se do lado fundamentalista ainda há preocupação com o futuro da bolsa brasileira, a análise técnica indica que investidores têm motivos para se animar.

Segundo Daniel Marques, superintendente de análise das corretoras Ágora e Bradesco, já dá para considerar uma reversão de rumo do mercado, mas é importante ter em mente alguns poréns.

Embora ele ressalte o rompimento pela primeira vez no ano da zona de resistência forte da média móvel de 200 períodos, Marques assinala que o mercado está com um perfil muito heterogêneo. Se de um lado papéis de empresas estatais têm se destacado, com valorização acentuada acompanhando (e sustentando) o Ibovespa, de outro há ações que ainda não conseguiram mostrar uma recuperação, caso das siderúrgicas. “É preciso separar o joio do trigo”, afirma. “Dá para pensar em compras, sim, mas é preciso olhar o que se está buscando.”

Até mesmo dentro de um só setor o superintendente enxerga papéis com características distintas. Nos últimos dias, a Ágora/Bradesco comprou ações de companhias como ALL, Multiplan, Saraiva, Ambev, M. Dias Branco, CCR e Estácio, entre outras. “Existe muita coisa boa, mas tem que tomar cuidado com o ‘timing'”, diz Marques.

Ele faz referência a ações que têm apresentado recuperação muito rápida, caso da própria Petrobras. “É preciso separar alguns papéis olhando basicamente se já existe uma tendência de alta ou não, e onde vai ficar o ‘stop’ (ordem usada para limitar as perdas)”, aponta o superintendente.

Para o investidor mais conservador, Marques considera prudente aguardar para ver se o Ibovespa vai conseguir romper os 53 mil pontos, o que poderia impulsionar o índice em direção aos 57 mil pontos, região de resistência mais importante. Na recuperação da bolsa vista entre julho e outubro do ano passado, o Ibovespa não teve força para romper esse patamar e caiu até meados de março, quando chegou a perder a linha dos 45 mil pontos.

Devido a essa complicação, o superintendente avalia ser mais seguro encerrar as operações e embolsar ganhos e, se o Ibovespa tiver força para romper a resistência dos 53 mil pontos, retomar a posição compradora. No campo negativo, o sinal de alerta se acende na linha dos 50,5 mil pontos. Se o índice perder os 49 mil pontos, Marques recomenda zerar posições, esquecer a melhora recente e começar “tudo do zero novamente”.

O analista técnico da Clear Corretora, Raphael Figueredo, cita como fator positivo da retomada mais recente da bolsa a redução da volatilidade. Como o Ibovespa cumpriu seu objetivo de alta dessa “pernada” de outubro a março, ele indica que a tendência agora é o mercado realizar um pouco para depois voltar a subir com mais força.

“Vivemos três dias consecutivos de queda (de 8 a 10 de abril) e nada impede o índice de continuar realizando até a região dos 49,7 mil pontos, sem que haja qualquer comprometimento da possibilidade de reversão de tendência [de baixa para alta] que está havendo no mercado”, diz Figueredo, que considera favorável o fluxo forte de recursos no mercado, o que pode levar esses movimentos de correção a serem intradiários. “Há um bom tempo não víamos um giro tão forte nessa última pernada, então dá para acreditar que estamos muito próximos de um quadro de reversão de tendência.”

Se o mercado conseguir sustentar a recuperação, o Ibovespa deve seguir em direção à linha dos 55,3 mil pontos para, depois, buscar o ponto principal dos 56,7 mil pontos, indica o analista técnico.

Fonte: Valor Econômico de 14.4.2014.

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