Felsberg Advogados
Home | Queda de elétricas não segura Bovespa
Publicações

Queda de elétricas não segura Bovespa

O tão aguardado pacote do setor elétrico provocou efeitos bem distintos na Bovespa. Do lado positivo da bolsa ficaram as ações de empresas intensivas no uso da energia, como Vale PNA (2,67%), Usiminas ON (6,46%) e Suzano Papel PNA (5,25%), diretamente beneficiadas pela redução de 28% na conta de luz. Petrobras PN (2,30%) também subiu, com especulações sobre reajuste da gasolina. Mas o ministro Guido Mantega declarou ontem mesmo que o governo não cogita o reajuste.

Na outra ponta do mercado ficaram as empresas de energia: Cemig PN (-10,23%); Cesp PNB (-7,19%), Transmissão Paulista PN (-6,33%), Eletrobras ON (-5,46%), Copel PNB (-3,93%) e Eletrobras PNB (-2,91%). Analistas afirmaram que, de forma geral, as medidas são positivas para os grandes consumidores de energia elétrica, mas as dúvidas sobre o impacto para as geradoras e distribuidoras permanecem, pelo menos até hoje, quando o governo publicará a Medida Provisória com os detalhes. “Ainda falta um monte de detalhes. Estamos literalmente às escuras”, observou a estrategista da Fator Corretora, Lika Takahashi.

“A ideia do governo é boa, à medida que ajuda a reduzir o custo Brasil e a resolver a questão do investimento de longo prazo. Tudo caminha para a desoneração. O dólar e os juros já foram para onde o governo queria, mas a produtividade da indústria não aumentou. Faltava desonerar”, explicou a especialista, ao comentar a alta de papéis do setor industrial. Lika comentou ainda que a redução nas tarifas de energia terá impacto direto na queda da inflação, o que abriria espaço para o governo liberar um reajuste de combustíveis para a Petrobras. “O ministro [Guido] Mantega negou, mas o ministro está no papel dele. O fato é que o caminho está sendo aberto.”

Voltando ao setor elétrico, o governo reiterou a redução média de 20% nas contas de luz por meio de desoneração de tributos e anunciou que vai renovar por até 30 anos as concessões que vencem entre 2015 e 2017. Mas o impacto das medidas não ficou claro. Os estudos sobre amortização de ativos e eventual indenização das companhias ainda serão produzidos. Ao longo do dia, os papéis das elétricas operaram de lado, com investidores à espera de detalhes, que acabaram não saindo.

Na dúvida, os investidores, principalmente os estrangeiros – que são avessos a intervenções do governo – preferiram desfazer posições no setor, segundo informaram operadores. O Bank of America Merrill Lynch divulgou relatório à tarde sugerindo cautela, especialmente com as empresas que possuem concessões vencendo em 2015. “O impacto no fluxo de caixa e nos dividendos das elétricas ainda não está claro. E como não se sabe como ficarão as tarifas, os papéis continuarão voláteis”, afirmou o chefe de análise da SLW Corretora, Pedro Galdi. “Acabou a referência do setor como bom pagador de dividendos”, acrescentou o analista de energia da BES Securities, Gabriel Laera.

Apesar do peso negativo das elétricas, o Ibovespa encerrou em alta de 1,74%, aos 59.422 pontos, sustentado por Petrobras e Vale. O volume financeiro voltou a ser forte, de R$ 7,294 bilhões.

 

Valor Econômico de 12.9.2012.

Topo Voltar