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Presente ao gosto do freguês

Dono da rede de idiomas Wizard investe na Vale Presente, que será rival de grandes bancos na área de cartões pré-pagos

 

CÁTIA LUZ – O Estado de S.Paulo

Em 2004, quando tinha 20 e poucos anos, Rodrigo Borges deu início à sua coleção de domínios na internet. Por conta própria, comprou por US$ 12 mil o valepresente.com.br. E seguiu arrematando outros endereços, como giftcard.com.br, valeuisque.com.br e valebrinquedo.com.br. “Tinha certeza de que ia criar uma empresa no setor. Era só questão de tempo”, afirma o empresário, que se prepara para lançar em setembro a Vale Presente, primeira empresa brasileira especializada em gift cards – cartões pré-pagos usados para presentear. “A inspiração é o mercado americano, onde os vale-presentes respondem por 20% das vendas de Natal”, diz.

A companhia teve início como uma “empresa imaginária”, planejada por Borges em paralelo a outros trabalhos. Formado em administração de empresas, ele começou como trainee na companhia de comércio eletrônico B2W, de onde saiu em 2009 como gerente-geral comercial da marca Submarino.com. Em seguida, foi responsável pela operação online do Magazine Luiza. Até que, em 2011, ele e o sócio Robson Dantas conseguiram investidores para tirar o projeto do papel. “Já tinha todo o time que queria chamar na minha cabeça”, diz Borges, hoje com 32 anos.

Com investimento de R$ 30 milhões, a Vale Presente montou uma estrutura própria, com cara de banco, para confeccionar e gerenciar os cartões, que terão a bandeira Mastercard. No prédio, da fachada à sala central onde são estocados os cartões, são 11 catracas e portões monitorados. Todo o processo – emissão e impressão dos cartões, administração financeira, autorização e processamento das transações – será feito lá dentro.

Recursos. O grupo de investidores do negócio é peculiar. O pontapé inicial foi dado pelo empresário Ruy Drever, dono da Pretorian, marca de equipamentos esportivos para MMA, esporte popularizado por Anderson Silva. Drever bancou uma viagem para Borges visitar a operação da Giftcards, empresa líder no mercado americano. Em seguida, se propôs a procurar outros investidores para a empreitada, que se viabilizou com a chegada de Carlos Wizard Martins, fundador do Grupo Multi, holding de ensino que controla marcas como Wizard, Yázigi e Microlins. Martins é o sócio controlador, com 60% da Vale Presente.

“É um negócio complementar ao nosso. Com o cartão pré-pago, podemos fechar contratos nacionais com empresas que queiram oferecer vale-cursos para os colaboradores”, explica Charles Martins, presidente do conselho do Grupo Multi e filho de Carlos Martins. “Até agora, isso não era possível. Para ter um curso de cobertura nacional, a empresa teria de fechar contrato com cada um dos nossos franqueados pelo País.”

Além do mercado corporativo, onde vai oferecer cartões para campanhas de premiação a funcionários, a empresa vai atender outros dois públicos. Os consumidores finais vão poder personalizar os cartões com fotos, imagens e frases, e carregá-los com valores de R$ 50 a R$ 1 mil. Já o varejo poderá encomendar vale-presentes exclusivos a serem resgatados nas lojas.

Concorrência. Apesar de ser a primeira empresa brasileira especializada em gift cards, a Vale Presente já começa com concorrentes de peso. Também no mês que vem, a Alelo, que tem como sócios o Bradesco e o Banco do Brasil, vai estrear no segmento.

Forte em vale-refeição e vale-alimentação, com os cartões-benefícios Visa Vale, a empresa vai lançar o Prepax Alelo, cartão-presente pré-pago com bandeira Visa, que também será oferecido a consumidores finais e empresas. “Temos mais de 70 mil companhias como clientes. A ideia é diversificar o portfólio e buscar a sinergia dos negócios”, explica Ronaldo Varela, diretor executivo comercial da Alelo.

No varejo, a empresa promete facilitar a distribuição de vale-presente de diversas marcas. “Nos Estados Unidos, é comum ver cartões sendo vendidos em lojas de conveniências, restaurantes ou farmácias”, diz Varela. “Já fechamos com quatro varejistas que vão atuar como distribuidoras.” É uma briga que, pelo visto, está só no início.

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