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Prazo para oferta prioritária sustenta cotações da Oi

Por Ana Paula Ragazzi

As ações da operadora de telefonia Oi, até o momento, não reagiram com uma queda que seria esperada por conta da bilionária oferta de papéis que fará na bolsa. Uma explicação para a sustentação das cotações pode ser a oferta prioritária prevista na operação. Nela, os atuais acionistas têm o direito de reservar primeiro as ações, para manterem a fatia na empresa.

Ao divulgar o total de ações que deverá emitir na oferta inicial, de 5,7 bilhões de papéis, a Oi sinalizou um preço que estima para as ações da oferta, já esperando um deságio pelo fato de estar emitindo três vezes mais ações do que possui hoje. Como a empresa, conforme o contrato de fusão assinado com a Portugal Telecom, precisa obrigatoriamente captar o mínimo de R$ 7 bilhões, tendo como alvo uma operação de R$ 8 bilhões, o valor financeiro da operação, somando o aporte de ativos da Portugal Telecom no valor de R$ 5,7 bilhões, poderá oscilar entre R$ 12,7 bilhões e R$ 13,7 bilhões. Dividindo esses números pela quantidade de ações que serão emitidas na oferta base, a empresa estima que as ações devam sair na operação entre R$ 2,22 e R$ 2,40, abaixo do valor de hoje na bolsa, que é de R$ 2,96. Os lotes suplementar e adicional só serão colocados no caso de excesso de demanda.

Logo, quem já é acionista da empresa hoje, possivelmente, está segurando as ações para garantir o direito de comprá-las na casa dos R$ 2,00 – o preço na oferta poderá ser diferente da faixa sinalizada pela companhia, após a coleta de intenções no mercado. Uma vez garantido o direito, como a ação está acima desse valor no mercado, a expectativa é que no dia seguinte ele possa vender as ações, para ganhar com a diferença de preços e mantendo-se como acionista. Esse movimento poderá fazer com que as cotações da Oi passem a refletir a diluição prevista na oferta.

Pelos procedimentos da operação, a primeira data de corte da oferta é amanhã, dia 9. Só participa da oferta prioritária quem for acionista da Oi nesse dia. A segunda data de corte é dia 17, quando será verificado o porcentual de cada acionista na empresa. Pelo fato de os acionistas estarem segurando esses papéis, a oferta de ações da Oi para o aluguel está escassa, jogando para o alto as taxas e inviabilizando também as operações daqueles que querem ficar vendidos (apostando na queda) das ações.

Esse é um movimento técnico de mercado, que costuma acontecer um todas as ofertas. Um analista que prefere não se identificar afirma que esse pode ser até mesmo um sinal positivo para a colocação da oferta da Oi.

Em tese, se todos os atuais acionistas participassem da operação, nem seria necessário buscar novos investidores no mercado para completar a captação. As informações sobre o interesse dos atuais acionistas na oferta prioritária não serão divulgadas, uma vez que quando eles fazem a reserva de ações estipulam também uma faixa de preço para comprar os papéis. Por essa razão, para saber qual será a verdadeira alocação para os atuais acionistas é necessário esperar a definição de preço pelo mercado.

Procurados pelo Valor, a Oi e o BTG Pactual, coordenador líder da oferta, não deram entrevista por estarem em período de silêncio.

A fusão entre Oi e Portugal Telecom, que tem a oferta de ações como uma de suas etapas, é apresentada como uma maneira de melhorar a estrutura de capital da empresa. Hoje o valor de empresa (‘enterprise value’) da Oi está dividido em 20% em ações e 80% dívida. Com a capitalização, que deverá reduzir o endividamento, essa relação deverá melhorar proporcionalmente. Esse rebalanceamento tende a melhorar o retorno para os investidores. A melhora desse indicador deverá vir com os ganhos de sinergia esperados pela fusão e uma melhora operacional, que espera-se que seja comandada pelo diretor-presidente da Oi, Zeinal Bava. Como executivo da Portugal Telecom, Bava tem o respeito dos investidores estrangeiros e o mercado avalia que muitos deles poderão se interessar pela oferta.

Fonte: Valor Econômico de 8.4.2014.

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