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Pesquisa mostra desempenho inferior dos IPOs 'antigos'

Por Luciana Bruno

Estudo da Fundação Instituto de Administração (FIA) mostrou que o retorno dos papéis das empresas que realizaram ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) de 2004 a 2007 foi pior do que daquelas que fizeram IPOs em 2008, 2009 e 2010. O levantamento foi feito a partir de uma amostra de 130 IPOs ocorridos entre 2004 e 2011. O resultado final leva em conta a rentabilidade da ação (já descontado o retorno do Ibovespa) em períodos de três e dois anos após a realização da oferta.

Em 2004, a mediana do retorno das ações de sete empresas que realizaram IPO ficou negativa em 10,3% considerando os três anos seguintes. Isso significa que estatisticamente metade das empresas sofreu uma queda ainda maior, ao passo que a outra metade apresentou recuo menor que 10,3% ou valorização nos três anos subsequentes. Já para as empresas que fizeram IPO em 2005, a mediana foi de -32,5%. É importante ressaltar que pode ter havido resultados bem mais negativos, já que a mediana, diferentemente da média, é uma medida que não se deixa influenciar por valores extremos.

Os resultados dos IPOs realizados nos anos seguintes são ainda piores. Em 2006, as ações das 23 empresas que emitiram tiveram rentabilidade mediana negativa de 35,8% em três anos. Já para as ações das 56 companhias que realizaram IPO em 2007 a mediana foi de -49,7%, também considerando três anos. A partir de 2008, ano do colapso dos mercados mundiais, a rentabilidade das companhias que realizaram IPO começa a melhorar. Para as ações das três empresas que foram a mercado naquele ano, a mediana foi 114,3% nos três anos seguintes.

Como o estudo considera os IPOs realizados até o fim de 2011, o desempenho das ofertas realizadas a partir de 2009 é avaliado em um período inferior a três anos. Isso impede uma comparação direta com os IPOs anteriores. Para as seis empresas que abriram capital em 2009, a rentabilidade mediana foi positiva em 3,8% nos dois anos seguintes. Já para as 11 que realizaram IPOs em 2010, a mediana do retorno foi muito melhor, positiva em 101,3%, também considerando os dois anos subsequentes.

Segundo Bruno Cals de Oliveira, autor do estudo, esses resultados são consequência do otimismo extremado que tomou conta do mercado durante a onda dos IPOs de 2004 a 2007. “A demanda aumentou e, consequentemente, essas empresas vieram muito valorizadas”, afirma. “O retorno imediato foi mais alto, mas depois os preços se ajustaram”.

Para Carlos Alberto da Silva Junior, gestor de renda variável da Modal Asset Management, de 2008 para cá o investidor passou a ser mais exigente. “Acabou o momento da euforia quando qualquer IPO subia rapidamente e era muito fácil fazer dinheiro”, diz. Para ele, por conta da decepção com os próprios IPOs e pela crise, o investidor ficou mais sofisticado. “Tanto os investidores locais como os gringos começaram a não aceitar qualquer empresa que viesse a mercado”, diz Silva, enfatizando que as companhias que conseguem encontrar janelas de oportunidades hoje têm qualidade melhor quando comparadas às empresas que foram a mercado durante o “boom”.

Ele cita como exemplo de desempenho ruim o setor da construção civil. Na época dos IPOs, o argumento para as projeções de crescimento era a necessidade de suprir o elevado déficit habitacional. “Foram ao mercado captar, tornaram-se grandes, mas em 2008 tiveram dificuldade de ‘funding’ e algumas quebraram. Mais recentemente, houve problemas para conseguir mão de obra qualificada”, comenta Silva.

Ele lembra que outro caso negativo de IPO foi o da então empresa de biocombustíveis Brasil Ecodiesel, cuja rentabilidade ficou 130 pontos percentuais abaixo do Ibovespa desde sua oferta inicial, em 2006, até julho deste ano.

No entanto, houve casos de sucesso, como o da empresa de cosméticos Natura, que realizou IPO em 2004. Desde a oferta até julho, segundo dados da Economática, a ação da Natura subiu 751%, descontado o Ibovespa.

A Taesa, empresa de transmissão de energia da Cemig, e a fabricante de móveis planejados Unicasa também são apontadas como empresas com bons fundamentos por analistas. Elas foram a mercado este ano. “A Taesa é uma ótima pagadora de dividendos e tem resultados bem previsíveis”, diz Silva, da Modal, que também elogia a Unicasa, por ser uma empresa com alto retorno sobre o capital investido.

Valor Econômico de 8.8.2012.

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