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Perda com crédito bancário deve passar de R$ 100 bi em 2012, estima Serasa

Apesar de não considerar o número desesperador, presidente da instituição atenta para o fato de esses recursos estarem sendo desperdiçados

Aline Bronzati, da Agência Estado

SÃO PAULO – As perdas com crédito bancário devem ultrapassar R$ 100 bilhões este ano em meio ao volume recorde de inadimplência apresentado até agora. A opinião é do presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro. No final do ano passado, a cifra já estava em R$ 80 bilhões, conforme ele.

Apesar de não considerar este número desesperador, Loureiro atenta para o fato de esses recursos estarem sendo desperdiçados. “Os recursos que perdemos distribuindo crédito errado poderiam ser utilizados para investimento na economia, dispensando a necessidade de estímulos ao consumo, como a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para veículos de baixa cilindrada”, opinou ele, que palestrou na oitava edição do Congresso de C4 2012 – Cartões de Crédito ao Consumidor, que acontece entre hoje e amanhã.

Outro agravante no cenário atual, conforme o presidente da Serasa, é o fato de a inadimplência ter crescido em meio ao melhor momento da economia brasileira, com bom nível de emprego e melhoria de renda da população, por conta de uma “overdose de crédito” entre os anos de 2010 e 2011. Além disso, o perfil da inadimplência é preocupante, segundo ele, com um nível elevado de pessoas com dívidas superiores à sua renda mensal.

No entanto, Loureiro confirma o que os grandes bancos têm demonstrado de que a inadimplência deve caminhar para uma tendência de queda gradual no segundo semestre. “A inadimplência está dando sinais de normalização e a expectativa é de que o crédito tenha uma reação no segundo semestre com a melhora do acesso e busca por crédito”, observou ele.

O executivo também acredita ser possível mudar a dinâmica do crédito atual com medidas no curto prazo, como a criação do cadastro positivo (central de dados que possibilitará aos bancos e instituições analisar a capacidade de pagamento dos clientes), e no longo prazo, por meio de educação financeira dos consumidores brasileiros. A criação do cadastro positivo permitiria, segundo ele, uma oferta mais ajustada ao risco, seletiva e sustentável, além de combater o superendividamento.

A proposta já foi aprovada há cerca de um ano pelo governo, de acordo com Loureiro, mas aguarda a regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) para poder entrar em vigor. A expectativa do executivo é de que as regras sejam divulgada ainda este ano. “Estamos sendo cúmplices do não pagamento. Não se pode conceder crédito para a população da mesma maneira, avaliando o salário médio”, observou ele, ressaltando a necessidade de aprofundar a análise da habilidade da pessoa de consumir crédito.

Questionado sobre a privacidade das informações, Loureiro explicou que não haverá compartilhamento de informações sigilosas, mas a criação de uma base de dados com as transações que deram certo.

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