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Pequenas atraem mais investidores

O Estado de São Paulo

Pequenas atraem mais investidores

Fundos de private equity chegam ao País atrás de oportunidades

O boom do mercado de capitais brasileiro deixou uma herança promissora aos pequenos e médios empresários. Sonhando com a abertura de capital em Bolsa, muitos empreendedores incluíram temas como governança corporativa e capital de risco em seu vocabulário e sofisticaram seus negócios.

Agora mais preparados, eles despertam cada vez mais o interesse de investidores de private equity (que compram participações em empresas). Nos últimos meses, novos grupos nacionais e estrangeiros anunciaram estar à busca desses empreendimentos, de Norte a Sul do País.

O fundo americano AAI Global Equity foi um dos últimos a desembarcar no Brasil, há pouco mais de seis meses. “O pequeno e médio empresário brasileiro está mais bem preparado”, diz Charles Ryan, sócio da Invest Partner, que representa o grupo. “Muitos já têm seus planos de negócios estruturados e até buscaram auditar suas operações. Isso facilita nosso trabalho”, afirma.

Por isso, diferentemente de seus pares que também chegaram há pouco ao País, como os fundos Carlyle e Actis, o AAI procura pequenas e médias empresas (faturamento anual entre US$ 3 milhões a US$ 15 milhões), para aquisição de uma fatia de 20% a 30%. Eles têm US$ 100 milhões para investir nos próximos anos. Neste mês, o grupo fechou os dois primeiros negócios.

E a busca não deve parar por aí. A cada semana – seguindo a rotina dos últimos meses -, os representantes do fundo visitam pelo menos três empresas. Ryan conta que, em algumas regiões, já está difícil encontrar empresários “disponíveis” para conversar. “O mercado em São Paulo está saturado”, diz. Por isso, os investidores têm focado, principalmente, na prospecção de companhias no Sul do País.

A movimentação do setor também tem mexido com a estratégia do grupo francês Axxon, que começou a atuar no Brasil em 2001 – “quando ainda era preciso explicar ao empresário o que era private equity”, diz o sócio José Augusto de Carvalho. A equipe do fundo, que já investiu em sete empresas, reforçou os contatos no Sul. O foco da Axxon são empresas com faturamento anual de US$ 20 milhões a US$ 300 milhões.

Segundo ele, a maior concorrência – e crescente disputa dos fundos pelos melhores negócios – é fruto do desenvolvimento das PMEs nos últimos anos. “Elas têm arrumado a casa, pois sabem que assim capturam mais valor na hora de receber um sócio.”

A companhia carioca Mills, do setor de construção civil, recebeu aporte de um fundo de private equity há um ano. Mas preparava-se para isso há muito mais tempo. Criada em 1952, a empresa familiar começou a profissionalizar sua gestão em 1998.

Trocou toda a diretoria – hoje, apenas uma pessoa da família participa da gestão – e contratou auditores externos. “Era a melhor forma de manter o negócio saudável”, diz o presidente Ronald Miles. Em 2006, começou a receber propostas de investidores, até fechar com o fundo Axxon, que ficou com participação minoritária na empresa.

Além do avanço de fundos estrangeiros, investidores nacionais também acordaram para os empreendimentos menores. A Master Minds, de Campinas (SP), nasceu em junho para investir em PMEs nas áreas de bens de consumo, comércio e TI. Os investimentos variam entre US$ 1 milhão e US$ 15 milhões. “Os pequenos e médios empresários estão mais maduros. Querem crescer ou simplesmente não correr o risco de serem comprados”, diz Juliano Graff, sócio-fundador da empresa.

PRIVATE EQUITY

O que é: são fundos formados por recursos de fundos de pensão, bancos de investimentos, indústrias e pessoas físicas de alto poder aquisitivo, que compram participações em empresas de capital fechado, de todos os portes

Atuação: uma vez na empresa, os investidores assumem parte ou toda a gestão, turbinam o crescimento e depois saem do negócio, com a venda para um comprador privado ou a abertura de capital na bolsa

Exigências: antes de se tornarem sócios, os investidores buscam conhecer todas as operações da empresa, além de passivos trabalhistas, fiscais e ambientais. Ter sistemas de controle e auditoria adequados são essenciais para determinar o valor da empresa e avançar na negociação

Brasil: a indústria de private equity brasileira conta com cerca de 80 gestores e 150 fundos. Os setores mais procurados são eletrônico, informática, varejo e telecomunicações, segundo censo feita pela Fundação Getúlio Vargas em 2005. Este ano, a expectativa é de que a indústria supere os US$ 4 bilhões investidos no ano passado.

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