Felsberg Advogados
Home | Para analistas, prospecto pode induzir investidor a erro
Publicações

Para analistas, prospecto pode induzir investidor a erro

A estratégia da Oi para anunciar o tipo de garantia que seria oferecida para o processo de aumento de capital da empresa animou o mercado inicialmente, mas acabou se transformando em um problema. A minuta do prospecto não informa que os bancos dariam a garantia de colocação de R$ 6 bilhões para o aumento de capital, disse Raphael Martins, especializado em mercado de capitais e sócio do Faoro & Fucci Advogados, mas isso não teria sido divulgado de forma clara pela empresa.

Para Martins, a Oi desenhou a garantia de modo que se houver adesão de clientes dos bancos igual ou maior que o valor da oferta, até o limite de 1,3 vez desse valor, os bancos garantiriam a colocação. Do contrário, os bancos não garantem os R$ 6 bilhões. Mas, disse ele, “a questão está sendo anunciada de maneira enviesada, mostrando que a oferta está completamente garantida pelos bancos, o que não é verdade”. Em sua opinião, a estratégia de marketing da Oi pode induzir o investidor ao erro.

Para Henrique Florentino, analista da Um Investimentos, o desfecho do processo agora depende das explicações da Oi à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Como a CVM não admite que haja condição para a garantia firme, uma saída seria a companhia optar pelo critério de “melhores esforços”, caso em que não há garantia de valor algum, disse Florentino. A empresa pode colocar cláusulas restritivas informando que pode cancelar a oferta se não conseguir captar determinado valor.

Outra instituição financeira, que prefere não ser identificada, disse que é preciso analisar os interesses dos bancos que integram o sindicato. Lembrou que o BTG assessora a reorganização da Oi – bem como Morgan Stanley e Merrill Lynch – e administra um Fundo de Investimento em Participações dos controladores que farão o investimento; o Itaú é credor da Telemar Participações; o Santander fez o laudo de ativos da Portugal Telecom, superavaliados, na opinião de minoritários; e o BES Investimento é acionista da Portugal Telecom e signatário do memorando de entendimento.

Fonte: Valor Econômico de 2.4.2014.

Topo Voltar