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Odebrecht compra fatia de terminal de açúcar em Suape

Em mais uma tacada para ganhar terreno no segmento de logística para o agronegócio, a Odebrecht TransPort (OTP), braço de infraestrutura do grupo Odebrecht, comprou uma participação majoritária no projeto do terminal açucareiro da operadora logística Agrovia no porto de Suape (PE). As duas empresas vão formar uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) e investir R$ 150 milhões em dois anos. O aporte será, em linhas gerais, proporcional à participação de cada uma no negócio – 75% da OTP e 25% da Agrovia.

Pelo acordo, que ainda precisa passar pelo crivo da Secretaria Especial de Portos e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a SPE terá o contrato de arrendamento da retroárea (área externa ao porto) do cais 5 de Suape, que tem área total de 72,5 mil m2 e berço de 355 metros de extensão. A concessão dessa área foi obtida pela Agrovia em licitação.

Após os investimentos, o terminal terá capacidade para movimentar 738 mil toneladas de açúcar por ano. As operações devem começar em setembro de 2015. Segundo a diretora da OTP, Juliana Baiarde, o projeto prevê investimentos em sistemas de recepção rodoviária, armazenagem do açúcar refinado a granel e ensacamento desse açúcar, além de elevação da commodity em navios graneleiros. O terminal permitirá ainda o embarque de açúcar refinado em até cinco dias e em navios com capacidade para até 35 mil toneladas. Atualmente, o embarque do produto no porto de Recife é feito por navios de até 10 mil toneladas de capacidade e demora, em média, 15 dias.

Segundo ela, o acordo com a Agrovia foi o primeiro passo do grupo rumo ao objetivo de ser um competidor de peso em logística para o agronegócio. “A empresa venceu a licitação para construir um trecho de 850 quilômetros da BR-163 e quer avançar com infraestrutura nessa região com transbordo de carga, principalmente soja, por hidrovia e terminais portuários”, afirmou.

Para esse projeto, ainda em estudo, disse a executiva, a companhia pode destinar de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão em investimentos, incluindo o modal hidroviário. Em agronegócio, a OTP estava posicionada até agora apenas no projeto da Logum, empresa de logística para transporte de etanol do Centro-Oeste para o Sudeste do país.

A Agrovia, que tem como sócios a trading de commodities agrícolas ED&F Man, e os fundos de private equity BRZ Investimentos, Pampa Capital e Angra Partners, opera estações de transbordo rodoferroviário de carga em diversas localidades na região Centro-Sul do país. Em outubro deste ano, um terminal açucareiro da empresa localizado em Santa Adélia (SP) foi atingido por um incêndio que queimou cerca de 25 mil toneladas de açúcar. Pelo incidente, que provocou a morte de 14 toneladas de peixes em rios localizados no entorno do armazém, a empresa foi multada em R$ 15 milhões pela Cetesb. (FB)

Valor Econômico de 27.12.2013.

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