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O desafio da diversificação

O Globo, Suplemento Especial, 29/Nov

Para obter ganhos, especialistas admitem a necessidade de correr algum risco e recomendam combinar aplicações convencionais com outras menos usuais. Na Bolsa de Valores, indicações apontam para ações de empresas voltadas para consumo

Professor da Fundação Getúlio Vargas e especialista da consultoria FCE em diversificação de investimentos, Gyorgy Varga também acredita que o investidor terá que sair da zona de conforto e procurar opções novas, tais como os FDIC – fundos lastreados em direitos creditórios – para obter mais retorno. Mas alerta sobre a importância de se informar, previamente, sobre os títulos em que são feitas as aplicações.

“Hoje, até para se proteger, o aplicador tem que correr riscos e procurar calçar suas escolhas com uma boa assessoria e a disposição de monitorar seu dinheiro, “diz Ricardo Corrêa, da Corretora Ativa. “O olho do dono engorda o gado,” é o ditado da moda para os especialistas.

Para Gyorgy Varca, o desafio adicional para o aplicador é que o cardápio oferecido pelo mercado financeiro ainda é limitado. Ele diz que as taxas de administração também não fazem jus ao cenário atual. “Uma taxa de 2% para um fundo de renda fixa não era nada quando o juro era de 20%. Agora que o juro é 7,5%, come boa parte do ganho líquido no ano”, diz.

Mercado interno – A instabilidade internacional, por sua vez, impõe um alerta para quem vai investir na Bolsa de Valores. Não por acaso, o analista-chefe da Walpires Corretora, Leandro Martins, foca suas indicações nas ações de empresas fortes no mercado interno, como AmBev e Brazilian Foods, holding de Sadia e Perdigão. “A conjuntura externa levou a AmBev a ultrapassar a Petrobras em valor de mercado”, destaca. Na mesma linha, Ricardo Corrêa avalia que o cenário para empresas exportadoras recomenda cautela.

Para diversificar sem correr risco excessivo, a opção recomendada é o Fundo de Investimento Imobiliário (FE), que oferece rentabilidade superior à inflação e às ações e está isento do IR, embora seja um ativo de renda variável, sujeito a oscilações.

“É da índole dos brasileiros, de todas as origens e classes sociais, pensarem em aplicar em imóveis logo que fazem alguma poupança. Se sentem protegidos”, salienta Juliano Cornacchia, da PMKA Advogados. O fundo oferece o beneficio pela valorização do imóvel, com exemplos de retorno expressivo. Dados da Bovespa indicam que o número de aplicadores nos fundos imobiliários triplicou desde janeiro de 2011, chegando a 60 mil.

A comodidade é outro ponto a favor das aplicações nesses fundos. “Prestadores de serviços acompanham a rotina de administração dos imóveis,” esclarece Cornacchia. O crescimento das captações levou ao surgimento de oportunidades inclusive para poupadores de reservas mais modestas. O Fundo Imobiliário da Caixa Econômica, por exemplo, apresentava cotas de R$ 2 mil, valor palatável para a boa parte da classe média brasileira.

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