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Número de famílias endividadas cresce 59,8% em agosto

Cartão de crédito foi apontado como um dos principais motivos para prorrogação de pagamentos, seguido dos carnês e do financiamento de carro

Fernanda Nunes, da Agência Estado

RIO – Cresceu o número de famílias com dívidas a pagar na passagem de julho para agosto, segundo a pesquisa “Endividamento e Inadimplência do Consumidor”, realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A alta de 59,8%, a maior em 2012, foi a terceira consecutiva registrada pela pesquisa. Declararam estar com dívidas em atraso 21,3% dos entrevistados, um leve avanço ante o mês anterior (21%). Contudo, caiu o número de famílias que informaram não ter condições de pagar suas dívidas, de 7,3% em julho para 7,1% em agosto.

“O porcentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros aumentou em agosto de 2012. Entretanto, o número de famílias endividadas continua em patamar inferior ao observado no mesmo período de 2011, quando 62,5% haviam declarado ter dívidas”, informou a CNC, em nota oficial. A confederação afirma que as medidas do governo de estímulo ao crédito e à aquisição de bens duráveis continuam exercendo impacto sobre o orçamento doméstico.

O cartão de crédito foi apontado como um dos principais instrumentos de prorrogação de pagamentos por 73,2% das famílias que afirmaram ter dívidas. Em seguida, vieram os carnês, com 18,9% do total, e o financiamento do carro, com 12,4%.

O endividamento é maior entre as famílias inseridas na faixa de renda inferior a dez salários mínimos, com índice de 61,1%, ante 58,6% registrados em julho. Já entre as que possuem renda superior a dez salários mínimos, a taxa passou de 50,5% em julho para 53,6% em agosto.

O aumento do porcentual de famílias com contas ou dívidas em atraso entre os meses de julho e agosto ocorreu apenas na menor faixa de renda. Para este grupo de consumidores, a taxa passou de 22,4% em julho para 23,7% em agosto.

Também foi o grupo de menor faixa de renda que afirmou ter menos chances de pagar as contas em atraso. O indicador passou de 8% em julho para 8,4% no mês seguinte.

A pesquisa da CNC revela ainda que o tempo médio de atraso no pagamento das contas foi de 58,4 dias em agosto. O porcentual médio de comprometimento com dívidas de até três meses foi de 27,3% e, de até um ano, de 27,2%. Em agosto, a parcela média da renda das famílias comprometida com dívidas foi de 29,6%, dos quais 17,4% correspondentes a dívidas que tomam mais da metade do orçamento doméstico.

O orçamento das famílias continua comprometido com dívidas passadas, segundo a CNC. “Observamos que os estímulos à compra de duráveis e o aumento da concessão de crédito não teve, neste ano, o mesmo efeito das medidas anteriores. As famílias vão às compras já com um nível de endividamento elevado. O orçamento doméstico ainda está comprometido”, afirmou a economista da CNC Marianne Hanson.

Ela ressalta, no entanto, que as famílias estão mais otimistas com a capacidade de pagamento das contas em atraso. Diminuiu o porcentual dos que declararam estar muito endividados, de 14,1% em julho para 13,1% neste mês.

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