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Novo Mercado ganha um índice de referência próprio

Investidores e empresas já podem acompanhar mais facilmente o desempenho médio das ações listadas exclusivamente no Novo Mercado, segmento mais alto de governança corporativa da bolsa. A partir de hoje, a BM&FBovespa passa a divulgar o Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada Novo Mercado (IGNM), cuja carteira teórica é composta por todas as 128 ações que fazem parte do segmento, com valor de mercado de cerca de R$ 723,5 bilhões, segundo dados de julho.

Desde a estreia no Novo Mercado da primeira empresa, há cerca de dez anos, a bolsa considerava a criação de um indicador de referência específico para o segmento, mas só agora se alcançou uma massa crítica de empresas, conta a diretora de desenvolvimento de empresas da BM&FBovespa, Cristiana Pereira. A alternativa até então era o Índice de Governança Corporativa (IGC), um indicador geral com papéis listados nos níveis 1, 2 e Novo Mercado.

A expectativa com a criação do índice, diz Cristiana, é a de que mais investidores e empresas participem da discussão sobre as vantagens da adoção das melhores práticas, entre elas o acesso a um capital mais barato dada a percepção de risco menor. Para os investidores, o índice servirá de filtro das companhias que estão listadas naquele que é considerado como o nível mais elevado em termos de exigências de governança corporativa no mercado local.

Entre as regras do Novo Mercado, o capital das empresas deve ser composto apenas por ações ordinárias (ON, com direito a voto), a companhia deve se comprometer a manter no mínimo 25% dos papéis em circulação (“free float”) e o conselho de administração, composto por no mínimo cinco membros, sendo 20% independentes, e com mandato máximo de dois anos. No caso de venda de controle, todos os acionistas têm o direito de vender suas ações pelo mesmo preço (“tag along” de 100%).

A carteira do IGNM será reavaliada a cada quatro meses. Farão parte todas as ações listadas no segmento, ponderadas pela multiplicação de seu valor de mercado, considerando-se as ações disponíveis para negociação. A participação de uma companhia no índice, contudo, não poderá ser superior a 20%. Empresas que abrirem o capital serão incluídas após o encerramento do primeiro pregão regular de negociação. Ações de companhias que migrarem para o segmento entrarão após o pregão anterior à estreia no Novo Mercado. A base do IGNM foi fixada em 1.000 pontos com data de referência inicial de 28 de dezembro de 2006.

Em um exercício de comparação do desempenho do IGNM com o do IGC e do Ibovespa – esse último das empresas mais líquidas -, o novo índice leva a melhor. Enquanto o Ibovespa acumulou retorno de 28,3% do início de 2007, ano marcado pelo recorde de ofertas públicas iniciais de ações, até o último dia 31, o IGC rendeu 40,2% e o IGNM, 54,4%. A variação do IGNM, acredita Cristiana, demonstra que a tese por trás do Novo Mercado gera valor. “Não é prova científica, mas uma evidência.”

Para Sandra Guerra, presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), o IGNM será um indicador de criação de valor efetivo e permanente para orientar empresas e investidores sobre os benefícios associados ao que há de melhor em termos de governança no país. “Pesquisas acadêmicas dão conforto sobre a criação de valor da governança, mas o índice torna isso mais perceptível.”

Ela lembra que o IGC, que reúne as empresas de todos os segmentos de governança e também supera o Ibovespa, foi fundamental para trazer o valor da governança do mundo conceitual para o tangível. Mas o Nível 1, ressalta, vem perdendo seu diferencial ao longo dos anos em relação às regras básicas.

Valor Econômico de 3.9.2012.

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