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Novo Ibovespa deve ser liderado por um banco

Por Aline Cury Zampieri

 

A primeira prévia do Ibovespa para a carteira que valerá de maio a agosto consolida o avanço do setor financeiro sobre o principal índice da Bovespa. Pela primeira vez desde 1980, um banco pode ser a ação de maior peso, caso a prévia se confirme em maio. De acordo com a lista, Itaú PN é a ação que mais ganha terreno no indicador e supera as blue chips Vale PNA e Petrobras PN. Bradesco PN também ganha terreno. Ainda há mais duas prévias antes da divulgação da carteira oficial, no começo do próximo mês.

Na prévia, a lista de blue chips é a seguinte: Itaú PN (com 9,410% de peso no índice), Petrobras PN (7,288%), Bradesco PN (7,246%), Vale PNA (6,083%) e AmBev ON (5,560%).

A carteira atual, que ainda está em vigor, tem a seguinte classificação: Petrobras PN (7,988%), Vale PNA (7,384%), Itaú PN (7,251%), Bradesco PN (5,966%) e Petrobras ON (3,954%).

O estrategista do BB Investimentos, Hamilton Moreira Alves, diz que boa parte dessas mudanças foi causada pela alteração de metodologia do Ibovespa, anunciada em setembro, e que dá mais espaço para valor de mercado, ponderado pela liquidez dos papéis. A nova regra passa a valer na íntegra pela primeira vez nesta nova carteira de maio. A partir do próximo mês, a ponderação do índice passará a ser realizada pelo valor de mercado das ações em circulação (“free float”) com um “cap” (limite) de duas vezes.

O presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) e sócio da Proxycon, Reginaldo Alexandre, vê nessas movimentações um pouco do reflexo da perda de terreno da indústria na própria economia brasileira. “O setor industrial está meio estagnado, há muita volatilidade de indicadores econômicos, como o câmbio, e há problemas de competitividade. O setor industrial vem perdendo atratividade”, diz. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria viu sua fatia no PIB recuar de 26% em 2012 para 24,9% no ano passado. O setor financeiro ficou praticamente estável, em 7%.

Além disso, lembra Alexandre, o sentimento do mercado em relação aos bancos vem melhorando, depois de baques sofridos pelas campanhas do governo federal para reduzir os spreads das instituições financeiras e da pressão nos resultados com a queda da Selic, para um dígito.

Agora, os bancos são vistos por alguns gestores como um porto seguro na bolsa. Em 24 de março, o Credit Suisse divulgou um relatório sob o título “Bancos brasileiros: um pequeno oásis no deserto”. No trabalho, os analistas projetam alta de dois dígitos no lucro das instituições financeiras em 2014 e 2015.

Itaú é a primeira ação do setor financeiro a liderar o Ibovespa ao menos desde 1980. Segundo a BM&FBovespa, aquele foi o primeiro ano em que o percentual de cada ação na composição do indicador passou a ser aberto. Além dos ganhos de peso de Itaú PN e Bradesco PN, o setor financeiro mostrou avanço nos últimos anos com as entradas de Bradesco ON e das novatas Cetip e BB Seguridade.

Levantamento feito pelo Valor com base em dados da bolsa mostra que, nos anos 2000, os revezamentos da liderança foram entre ações de telefonia, Petrobras e Vale. A pesquisa foi realizada com base nas carteiras vigentes de maio a agosto, justamente o mote da primeira prévia que saiu ontem. Conhecido pelo forte peso do setor de telefonia, o topo do Ibovespa foi de ações desse segmento até 2005 (Telesp em 2000 e Telemar nos anos seguintes). Em 2006, Petrobras PN assume a dianteira até 2011, quando é ultrapassada por Vale PNA na carteira de maio a agosto. Mas a diferença entre as duas principais blue chips do mercado sempre foi muito sutil.

As ações que mais perderam terreno nessa preliminar foram justamente as principais blue chips do mercado. Na primeira prévia, Vale PNA saiu de uma fatia de 7,384% para 6,083%. Petrobras PN vem em seguida, com queda de 7,988% para 7,288%. Vale passa por um momento de queda nos preços do minério de ferro, além de perspectivas piores para a economia chinesa, segundo analistas. Petrobras sofre com interferências governamentais que desagradam ao mercado.

 

Fonte: Valor Econômico de 2.4.2014.

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