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Medidas internas levarão Gol à recuperação, diz presidente

A recuperação nos indicadores da Gol, prevista para o segundo semestre do ano, virá de mudanças internas na companhia aérea, e não da recuperação de fatores externos que levaram a empresa ao pior resultado trimestral desde a sua criação, segundo o presidente da empresa, Paulo Sérgio Kakinoff

A readequação da malha e a consequente redução do número de funcionários e estratégias comerciais para atrair tipos específicos de clientes estão entre as medidas que poderão trazer um alívio à companhia, de acordo com o executivo.

“No segundo semestre os indicadores externos não devem melhorar… temos uma expectativa de mudança no cenário, mas não no curto prazo”, disse em entrevista à Reuters nesta quarta-feira.

Segundo ele, no segundo trimestre a Gol foi negativamente afetada pelos custos das demissões realizadas na primeira metade do ano, “mas os efeitos positivos na redução de custos nós veremos no terceiro e no quarto trimestre.”

No final de junho, a Gol anunciou o plano de reduzir 2.500 vagas neste ano, com cortes, congelamento e não reposição de vagas. A empresa considerou a medida necessária para “adequar-se à nova realidade do mercado, manter seu plano de negócios disciplinado e a sustentabilidade de sua operação.”

“Essas demissões são o suficiente para alcançar os resultados que projetamos para o ano… o segundo semestre será influenciado pela redução de custos, racionalização da malha, com a redução do número de voos que gerou grande parte das demissões”, explicou Kakinoff.

Além disso, o presidente afirmou que o terceiro trimestre, sazonalmente mais fraco para a atração de passageiros de turismo, deve representar a adoção de uma política comercial para viajantes corporativos.

A Gol estuda ainda a possibilidade de novos voos internacionais regulares. “Existem estudos em andamento para a malha internacional dentro da característica da Gol, que é a expansão geográfica dentro do Cone Sul”, explicou o executivo, sem dar mais detalhes.

Apesar da perspectiva positiva para a segunda metade do ano, o presidente da Gol evitou traçar uma projeção para 2013. “Nós estamos vivendo um momento de extrema volatilidade… é difícil fazer uma previsão de médio e longo prazo”, disse Kakinoff.

PIOR TRIMESTRE

A segunda maior companhia aérea do país encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido de R$ 715,1 milhões, praticamente o dobro do resultado negativo apurado um ano antes, de R$ 358,7 milhões.

Analistas consultados pela Reuters estimavam, em média, prejuízo líquido de R$ 292,1 milhões no segundo trimestre.

Os altos custos com combustíveis e a desvalorização do real em relação ao dólar fizeram a Gol marcar o quinto trimestre consecutivo de perdas.

“A gente atribuiu (o resultado negativo) ao combustível a ao câmbio, mas também existem dois freios muito importantes que fizeram esse ser o trimestre mais adverso da história da Gol”, disse o presidente, que assumiu o cargo em junho após o então presidente e fundador da companhia, Constantino de Oliveira Junior, deixar o cargo.

Os dois outros fatores negativos, segundo Kakinoff, são a própria desaceleração da economia brasileira, que afeta a demanda por viagens aéreas, e o forte crescimento de 35% nas taxas aeroportuárias no segundo semestre.

“Além disso há a sazonalidade, o segundo trimestre é mais fraco, e isso afetou o setor como um todo.”

Quando divulgou seus resultados trimestrais na noite de segunda-feira, a Gol também revisou sua expectativa de demanda no mercado doméstico em 2012 para crescimento entre 6% e 9%, contra expectativa anterior de expansão de 7% a 10%. Além disso, a empresa reduziu sua estimativa de aumento de oferta de assentos este ano.

“Por hora vamos manter o guidance (projeções), mas tudo é possível”, completou o presidente.

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