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Logística tem oportunidades de crescimento profissional

Fonte: Brasil Econômico

Pacote de incentivo do governo aos projetos de infraestrutura deve elevar a procura e os salários de especialistas.

O engenheiro civil Felippe Basílio Ferreira, 40 anos, recebeu uma proposta de emprego da Brasil Terminal Portuário (BTP) há cinco meses para atuar como gerente sênior de projetos. O salário era 15% maior e ele, claro, aceitou.

Assim como Ferreira, outros engenheiros e até mesmo economistas começam a sentir o aumento da demanda pro seus serviços depois do pacote governamental de incentivo a projetos de infraestrutura – principalmente os ligados a rodovias, ferrovias, portos e aeroportos – anunciado recentemente.

“Acredito que minha movimentação já seja fruto da maior demanda por profissionais de logística. Projetos ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pré-sal evidenciaram isso. E a demanda deve acelerar com o novo pacote do governo recém-anunciado”, diz Ferreira, referindo-se ao Programa de Investimentos em Logística, que prevê, em sua primeira etapa, investimentos da ordem de RS$ 133 bilhões na reforma e construção de rodovias federais e ferrovias nos próximos 25 anos.

Ainda assim, Rodrigo Forte, sócio da consultoria em recursos humanos Exec acredita que, atualmente, o recrutamento de profissionais para atuar em logística está mais pautado em substituições do que em novas contratações.

Foi o que aconteceu com Ferreira, que trabalhava em uma companhia norueguesa de terminais de armazenagem de produtos líquidos (químicos e derivados) e passou a atuar em uma empresa de construção e operação de terminal multiuso para a movimentação de contêineres e granéis líquidos.

Mas ainda faltam profissionais. “Devido ao fato de o setor ter sido abandonado pelo governo federal nos últimos anos, grande parte dos que poderiam atuar em empresas do segmento foi em busca de outras oportunidades, principalmente no mercado financeiro”, completa o sócio da Exec.

O aumento da procura deve gerar um incremento de salário entre 20% e 30% para esses profissionais, acredita Juliano Ballarotti, gerente das áreas de engenharia e logística da Hays. Para ele, a relação entre oferta e demanda por profissionais levará um tempo até atingir o equilíbrio.

“O Brasil precisa de mais engenheiros do que consegue formar. Podemos ver isso hoje. Por isso, a retenção de talentos e a formação de novos profissionais serão cada vez mais importantes”, pondera.

O aumento de salário do gerente sênior de projetos da Brasil Terminal Portuário não chegou a esse percentual, mas outros fatores pesaram na decisão de Ferreira. “Há sete anos me dividia entre São Paulo e Santos, algo bastante desgastante. Trabalhando para a BTP poderia morar em Santos, cidade que eu adoro”, afirma.

Deixar a empresa norueguesa, portanto, significaria melhor qualidade de vida. Sem falar no potencial de crescimento da baixada santista com projeto de infraestrutura e pré-sal; e nos desafios a serem transpostos no novo emprego. “O empreendimento é de quase US$ 1 bilhão, bastante desafiador porque envolve vários segmentos e áreas”, completa o executivo.

Por serem planos de longa duração, há dois tipos de profissionais que podem atuar em logística: os de projeto e os de operação. Os profissionais de projeto serão responsáveis pela concepção e andamento da obra.

“Majoritariamente engenheiros civis, esses profissionais precisam ter senso de urgência e flexibilidade, uma vez o andamento do projeto nem sempre depende apenas da construtora, mas também do governo, empresas terceirizadas, entre outros”, lembra Ballarotti, da Hays.

“Esse profissional também tem que estar disponível para viajar, seja para outros estados brasileiros ou para o exterior”, completa.

Já o profissional de operação será demandando pelas companhias à medida que esses projetos forem concluídos. Ele será o responsável por avaliar o melhor meio de transporte (modal) para a entrega da mercadoria.

“Hoje as empresas não têm muita opção. Ou são rodovias, ou ferrovias, ou portos. Quando esses meios se integrarem de forma ampla, o profissional de operação terá que avaliar qual a melhor opção entre as disponíveis”, pondera Ballarotti.

“Esse profissional tem que ter senso de adaptação e reorganização, uma vez que à medida que projetos forem concluídos, será necessário pensar em novas soluções”, diz.

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