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Juros futuros têm leve recuo na BM&F

Por Lucinda Pinto e Antonio Perez

Com sensibilidade reduzida ao ambiente de aversão global ao risco que ditou ontem o rumo do dólar e da bolsa, os juros futuros apresentaram ligeira queda na BM&F. A taxa do contrato futuro de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 cedeu de 12,47% para 12,46%. Entre os DIs mais curtos, o derivativo para janeiro de 2015 também registrou leve oscilação, passando 11,08% para 11,07%. Com isso, o intervalo entre as taxas desses dois contratos – a chamada inclinação da curva a termo – manteve-se em 1,39 ponto percentual.

A falta de ânimo para um movimento de alta das taxas ontem pode ser explicada pelo forte aumento da inclinação da curva nos dias anteriores. Na quarta-feira passada, véspera da divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a diferença era de 1,15 ponto. Já houve, portanto, um ajuste expressivo, guiado pela percepção de que uma interrupção do aperto monetário elevará os riscos para a inflação.

Os números das vendas no varejo em fevereiro, divulgados ontem, corroboram a aposta de que o fim do ciclo está próximo ao mostrar um quadro de atividade fraco. Para o economista-sênior do BES Investments, Flavio Serrano, chama a atenção a diferença de desempenho do varejo restrito e do varejo ampliado. Trata-se, segundo ele, de uma confirmação de que a economia ainda conta com o impulso do mercado de trabalho e da renda, mas sofre com o aperto das condições financeiras. “Aparentemente, a atividade está fraca e perdendo dinamismo na margem. E isso aponta para menos juros, a despeito da inflação ainda alta”, diz.

O varejo restrito, que conta com maior peso da venda de bens e não duráveis, cresceu 0,2% em fevereiro ante janeiro. Já o varejo ampliado, que incorpora também as vendas de material de construção e de veículos – mais dependentes de crédito – mostrou retração de 1,6%.

Na visão de Serrano, indicadores recentes mostram que a atividade segue perdendo força e, portanto, devem servir de argumento para o Banco Central (BC) interromper a alta de juros. A reação do mercado diante desse quadro é ampliar a inclinação da curva. “Ainda que o BC não interrompa o ciclo em maio e eleve a taxa para 11,5%, isso não será suficiente para conter a inflação”, diz Serrano. “Por isso, o mercado continua colocando prêmio nos prazos mais longos, sob a perspectiva de que o aperto possa ser retomado em 2015”.

Valor Econômico do dia 16.04.2014

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