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Juro baixo pede análise de custos e riscos

Toni Sciarretta – Folha de São Paulo

Acostumado há quase duas décadas com juros acima de 1% ao mês, o pequeno investidor terá de fazer conta, olhar o peso dos impostos e dos custos das aplicações, e assumir novos riscos se quiser proteger as economias da inflação ou mesmo superar o ganho da poupança.

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Poucas aplicações atreladas a juros conseguirão superar em setembro o rendimento da nova poupança -que agora dará 0,43% ao mês (70% da taxa Selic, hoje em 7,5% ao ano) -após o desconto do Imposto de Renda. Em setembro, a inflação prevista é de 0,40% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).

Folga mesmo só terá a velha poupança, que vigora para os depósitos feitos até 3 de maio, e que renderam 0,51% em agosto (o mínimo garantido é 0,50% mais a TR, que praticamente zerou).

Entre os fundos DI, que seguem os juros do governo, só aqueles que têm taxa de administração de até 0,5% conseguirão render mais do que a poupança, caso o resgate ocorra antes de seis meses e incida o IR de 22,5%.

A taxa de administração é quanto o banco cobra para cuidar do dinheiro do cliente. Incide sobre o total administrado, mesmo que o aplicador não ganhe nada.

“Não tem mais sentido os fundos cobrarem as taxas de administração de antes. Eles terão de reduzi-las ou diminuir o valor da aplicação mínima dos fundos com taxa de administração de 0,5%”, diz Miguel Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação dos Executivos de Finanças).

TESOURO DIRETO

Segundo Samu Dana, professor da FGV, até o Tesouro Direto vai perder da poupança se os custos forem altos.

No Tesouro Direto incidem três taxas: taxa de negociação de 0,1% (pagamento único no momento da compra); taxa de custódia de 0,3% ao ano; e taxa de corretagem, que chega a ser nula nas principais corretoras.

Os grandes bancos, contudo, cobram 0,5%. Somando o 0,1% da taxa de negociação e os 0,3% da taxa de custódia, o custo final pode ficar equivalente ao de um fundo de investimento com taxa de administração de 0,9%.

“Quanto maior o prazo de investimento, maior o ganho do Tesouro Direto em relação à poupança”, diz Dana.

RISCO DA BOLSA

Diante do cenário, o investidor terá de assumir risco investindo pelo menos uma pequena parcela das economias em ações ou em empréstimos a empresas privadas, que ainda pagam mais do que os juros do governo.

O problema é selecionar quais empresas vale a pena investir nesse momento.

“O pessoal vai ter que mudar a cabeça. A Bolsa é um dos poucos lugares que sobraram para se ganhar dinheiro agora. Só que tem que saber escolher as ações e diversificar as apostas”, afirma Fabio Colombo, administrador de investimentos.

“Ficou difícil para o investidor ganhar dinheiro só com juros. Quem quiser um pouco mais, vai ter que assumir algum tipo de risco”, diz Miguel Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação dos Executivos de Finanças).

“A saída é fazer aplicações mais arriscadas e administrar bem esses riscos através da diversificação”, afirma Mauro Halfeld, da UFPR.

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