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Juro baixo é desafio bom, diz Anbima

Por Filipe Pacheco e Vinícius Pinheiro

Com a taxa básica de juros em seu patamar histórico mais baixo, há um claro desafio para a nova diretoria da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a Anbima: desenvolver instrumentos financeiros mais sofisticados e seguros e assim incentivar a competitividade entre os agentes do mercado de capitais, especialmente em linhas e instrumentos para financiamento de longo prazo. A tarefa foi exposta pela nova presidente da associação, Denise Pavarina, ao tomar posse oficialmente ontem durante evento realizado em São Paulo.

“Esse é o momento que todos esperávamos. Nós, distribuidores e planejadores financeiros, temos de olhar para a nossa real capacidade de gerar valor para os investidores”, disse ela, diante de uma plateia que reunia cerca de 600 pessoas entre banqueiros, gestores, investidores e convidados.

“O Brasil precisa de recursos para crescer e cabe ao mercado de capitais financiar parte relevante desse crescimento”, acrescentou a também diretora do Bradesco, ao dizer que continuará a fazer parte da agenda da entidade “discutir e sugerir várias formas de redução de custos em nosso sistema […] e de acesso dos investidores aos mercados.”

Durante seu discurso, Pavarina deixou claro que o processo de queda de juros na economia deve proporcionar mudanças culturais nos investimentos. Na busca por alternativas mais rentáveis de aplicação, aumentaram as pressões sobre as taxas de administração dos fundos de investimento. Mais tarde, em entrevista, ela afirmou que o setor deverá reavaliar sua estrutura de custos para se adaptar ao novo ambiente.

A mesma ideia havia sido reforçada pouco antes pelo diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Mendes, que abriu o encontro. Ele afirmou que o processo de queda da Selic proporciona a consolidação de outras áreas do mercado de capitais, como a emissão de títulos privados de longo prazo com retornos mais elevados.

“Precisamos eliminar resquícios de um passado de elevada instabilidade macroeconômica que ainda habita nosso mercado. Algumas taxas hoje amplamente utilizadas já não fazem mais sentido em um país que domou as altas taxas de inflação e tornou-se previsível no longo prazo”, disse Mendes.

O movimento recente de expansão do crédito na economia brasileira deve ter continuidade nos próximos anos, mas a um ritmo mais moderado, segundo o diretor do BC. Em compensação, ele projetou o crescimento de algumas linhas, principalmente aquelas que requerem prazos mais longos, como os segmentos imobiliário e de infraestrutura.

Ele citou como exemplo recente positivo a criação das letras financeiras, títulos de dívida semelhantes a debêntures que podem ser emitidos por bancos, “que se transformaram, em um curto espaço de tempo, em um importante instrumento de captação de instituições financeiras.”

Paralelamente, Mendes deixou claro que o ambiente de juros baixos também exigirá uma atenção redobrada e um maior gerenciamento de risco por parte da entidade central. “O Banco Central está atento a este processo”, disse.

Valor Econômico de 10.8.2012.

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