Felsberg Advogados
Home | Iochpe quer alterar limite de dívida em nova debênture
Publicações

Iochpe quer alterar limite de dívida em nova debênture

Por Ana Paula Ragazzi e Vinícius Pinheiro

 

A Iochpe-Maxion, fornecedora de componentes para a indústria automotiva e ferroviária, tenta negociar condições mais flexíveis de endividamento com os investidores de suas debêntures.

Ano passado, a empresa emitiu R$ 320 milhões em títulos conversíveis em ações e oferece agora a possibilidade de troca desses papéis. Uma nova emissão, já divulgada ao mercado, será de, no mínimo, R$ 250 milhões, mas pode chegar a R$ 570 milhões caso a empresa consiga adesão dos investidores da oferta anterior. Entre uma emissão e outra há uma diferença nos “covenants”, que são os índices financeiros que as empresas que emitem debêntures se comprometem a seguir quando vendem os papéis aos investidores.

No caso da nova emissão da Iochpe, os índices de endividamento em relação à geração de caixa (Ebitda) são mais favoráveis à companhia em relação à oferta do ano passado.

No fim do ano passado, a Iochpe tinha uma dívida líquida equivalente a 3,2 vezes o Ebitda de 2013, dentro do estabelecido na emissão de debêntures, que era de quatro vezes a geração de caixa. Mas o Valor apurou que a empresa pode ter dificuldades em cumprir os próximos “covenants”, dependendo do comportamento do câmbio até o meio do ano, e quer se preparar para uma possível piora no cenário.

Em junho deste ano, por exemplo, a relação entre dívida e Ebitda da companhia não pode superar 3,3 vezes, conforme o estabelecido com os credores das debêntures. No fim de 2014, o limite cai para 3,2 vezes.

Caso consiga a adesão dos investidores, a empresa terá uma folga maior, já que o limite de endividamento estipulado na nova emissão é de 3,75 vezes a geração de caixa neste ano. Em valores absolutos, a diferença representa um limite adicional de quase R$ 300 milhões de endividamento, considerando os números da companhia no fim de 2013. No mercado, a avaliação é que boa parte dos investidores devem concordar com a troca – alguns bancos concentram boa parte desses papéis. Procurada, a Iochpe não deu entrevista.

A principal consequência do não cumprimento dos compromissos estabelecidos na emissão de debêntures é a possibilidade de os credores exigirem o vencimento antecipado da dívida. A solução mais usual, porém, é a negociação de um aumento da taxa de juros paga pela empresa.

O aumento no endividamento da Iochpe ocorreu a partir de 2011, após as aquisições do grupo mexicano Galaz, que produz componentes para chassi, e da fabricante de rodas americana Hayes Lemmerz. Os negócios, que somaram US$ 920 milhões, foram em parte financiados por Banco do Brasil, Itaú BBA e Banco Votorantim.

A intenção original da companhia era fazer uma oferta de ações para diminuir a alavancagem, mas os planos foram colocados de lado diante da piora dos mercados. Como alternativa, a empresa realizou no ano passado a oferta de R$ 320 milhões em debêntures conversíveis em ações, a um custo equivalente a 99% da taxa interbancária (CDI).

Pelas condições estabelecidas na época, cada papel daria direito de conversão em 33 papéis da empresa, ao preço de R$ 30,30. Mas como as ações da Iochpe em nenhum momento desde a emissão chegaram a esse valor, nenhuma debênture foi efetivamente convertida.

Os papéis emitidos no ano passado vencem em 2018. A empresa pretende oferecer parte dos novos títulos, com “covenants” mais flexíveis, em troca dos anteriores. Caso haja adesão, a Iochpe alongará a dívida por mais um ano e o investidor ganha um prazo adicional para exercer o direito de conversão. Esse aspecto pode ser considerado por alguns investidores como atrativo para a troca.

As novas debêntures têm vencimento em abril de 2019. A taxa de juros será idêntica à da emissão anterior (99% do CDI). Mas, no lugar de realizar uma emissão de títulos conversíveis em ações, a companhia optou por fazer uma operação tradicional acompanhada de um bônus que dará o direito ao investidor de subscrever ações da companhia. Esses papéis poderão ser negociados de forma independente das debêntures.

Os novos papéis darão o direito de subscrição em ações da Iochpe por R$ 31,25. No pregão de ontem na BM&FBovespa, os papéis da companhia fecharam em queda de -0,12%, a R$ 23,67.

Valor Econômico do dia 25.03.2014

Topo Voltar