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Investimento estrangeiro atinge US$ 8 bi em março

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, usou sua apresentação ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ontem, para mostrar um Brasil mais atrativo aos olhos dos investidores externos. Após ser afetado pela perspectiva de retirada de estímulos monetários nos países mais desenvolvidos, sobretudo Estados Unidos, a partir de meados de 2013, o fluxo de capitais estrangeiros para o país melhorou desde março, atingindo nível “que não viámos há algum tempo”.

Segundo ele, só em março ingressaram US$ 8 bilhões em investimentos de diversas modalidades, valor bem acima do verificado em praticamente todos os meses desde abril de 2013, com exceção de novembro. Baseada em operações contratadas de câmbio (diferente, portanto, das que aparecem nas estatísticas mensais do balanço de pagamentos externos, com base em câmbio liquidado), a cifra inclui investimentos estrangeiros diretos (IED), investimentos em ações, captações externas em títulos e empréstimos diretos, explicou a assessoria do BC. Não foi informado o valor específico do IED nesse total, mas em 24 de março a projeção da autoridade monetária para o mês indicava ingresso de R$ 3,2 bilhões só nessa modalidade.

Tombini lembrou que em 2013 os países emergentes sofreram desvalorização de suas moedas em relação ao dólar americano, pois os mercados se anteciparam e reagiram à simples perspectiva de início da normalização das condições monetárias em países que aumentaram a oferta de moeda na economia para combater a crise financeira global a partir de 2008. Parte da desvalorização foi um natural ajuste de preços relativos, na sua opinião. Mas o câmbio também foi impactado, na visão do presidente do BC, por uma equivocada confusão entre o efeito desse processo de normalização sobre os preços dos ativos, que ficaram mais voláteis, e vulnerabilidade econômica. Para Tombini, a valorização do real agora em 2014 é uma correção do “exagero” que houve em 2013 por causa dessa “confusão entre volatilidade e vulnerabilidade”.

Sobre o cenário internacional, ele destacou que a economia global está de fato em recuperação, porém não homogênea entre os países e que “encerra fragilidades”. Ainda assim, se mostrou otimista quanto aos efeitos benéficos desse crescimento para a balança comercial brasileira, que, diferentemente de 2013, deverá ser ligeiramente positiva já em 2014. “A melhor notícia é a recuperação dos Estados Unidos”.

Tombini acha que o fato de a recuperação ser heterogênea e encerrar riscos fará com que o processo de transição para a normalidade monetária no mundo não seja tão rápido. “Isso é bom para o Brasil, pois nos dá um certo tempo nesse processo de transição”.

Por outro lado, ele insistiu que a economia brasileira tem desde já condições de enfrentar a normalização monetária que se avizinha. “As condições do Brasil para enfrentar essa nova fase são robustas”, entre outras razões porque o BC vem elevando a taxa básica de juros há um ano. Segundo Tombini, a resposta do BC aos efeitos domésticos do processo de normalização monetária mundial tem sido “clássica, robusta e técnica”.

O anúncio de metas fiscais feito anteontem pelo governo brasileiro para 2015 também é parte da preparação do país para a nova etapa da economia mundial. O “limite inferior duro” de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para o superávit primário “faz parte das políticas ajustadas para o cenário de condições financeiras mais duras”.

Tombini chamou a atenção também para o fato de que o déficit do país em transações correntes com o exterior está se estabilizando perto de 3,5% do PIB e que 80% dele tem sido financiados por IED, o que mostra “situação confortável” do balanço de pagamentos externos do país.

Sobre o repique da inflacionário de março, ele reiterou que o IPCA sofre efeito “temporário” de um choque nos preços dos alimentos e que a inflação recuará diante dos aumentos de juros, cujos efeitos são defasados e ainda não foram totalmente sentidos.

Fonte: Valor Econômico de 17.4.2014.

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