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Investidor não entrega ações vendidas

O crescimento das posições vendidas ou “short” na Bovespa – quando os investidores apostam na baixa das ações – está provocando maior ocorrência de casos de “inadimplência” na liquidação de operações de compra e venda dos papéis, segundo relatos de operadores de três corretoras de diferentes portes ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor.

Os problemas têm sido mais frequentes nas operações envolvendo papéis da OGX e da Eletropaulo, não por acaso os campeões de demanda de aluguel. Pelas regras da BM&FBovespa, ao fechar um negócio hoje (D+0), o vendedor das ações deve entregá-las ao comprador daqui a três dias (D+3). Esse é um processo quase automático, realizado pela área de custódia da Bovespa, a antiga CBLC.

Acontece que muitos investidores têm vendido a ação sem possuí-la, na esperança de conseguir alugar o ativo para concretizar a operação. Como a demanda por aluguel de OGX e Eletropaulo é muito grande – faltam doadores em alguns momentos e as taxas estão altas – nem sempre a operação é fechada dentro do prazo previsto.

Nesse caso, o comprador das ações tem direito de lançar a chamada “ordem de recompra” a partir do quarto dia (D+4) para execução até o dia seguinte (D+5), recebendo finalmente as ações no oitavo dia útil (D+8). Nesse período, o vendedor “inadimplente” é obrigado a pagar multa de 0,2% ao dia sobre o valor financeiro da operação, além da eventual diferença de preço do papel na recompra. Em última instância a Bovespa é a garantidora da operação.

Procurada pela reportagem, a BM&FBovespa informou que não comenta rumores sobre inadimplência na liquidação de ações. Apesar de preocupante, os operadores explicam que o fato não chega a ser grave, já que a bolsa trabalha com sistemas de controle de risco rígidos e exige margens de garantia para situações desse tipo.

Conforme o Valor informou ontem, a Bovespa elevou o limite de risco para aluguel de ações da OGX de 30% (376 milhões de ações) para 45% (564 milhões) do total de papéis da empresa em circulação (“free float”).

No fim do pregão de quarta-feira, as ações da empresa de petróleo de Eike Batista despencaram quase 10% em função do aumento das operações de aluguel com a entrada de novos doadores de ações da OGX, os fundos passivos, que acompanham a carteira teórica do Ibovespa.

Dados divulgados ontem pela bolsa confirmaram que o volume alugado de OGX saltou 14,5% entre terça e quarta-feira, para 422 milhões de ações. Esse aumento só foi possível graças ao novo limite de risco da bolsa para o empréstimo do papel. Operadores informaram que as taxas para alugar o ativo continuam altíssimas. O Valor  ouviu relatos de operações de empréstimo fechadas com taxas desde 55% até 85% ao ano.

A ação da OGX voltou a pressionar o Ibovespa ontem, ao fechar em baixa de 6,25%, para R$ 1,65. O mercado aguardava a divulgação do balanço do primeiro trimestre da companhia após o fechamento do mercado.

A Bovespa também foi afetada pela realização das bolsas em Wall Street. O Ibovespa chegou a perder o piso dos 55 mil pontos por alguns momentos por volta das 16 horas, com as declarações do presidente do Fed de Filadélfia, Charles Plosser. Para ele, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deveria começar a reduzir as recompras de títulos em breve. Apesar da opinião contundente, Plosser não tem poder de voto no Comitê Aberto de Política Monetária (Fomc, na sigla em inglês).

“O mercado reagiu ao discurso de Charles Plosser porque o dia não teve grandes novidades”, avalia o especialista em bolsa da Icap Brasil, Rogério Oliveira. “A semana está muito tranquila comparada à anterior, quando tivemos balanços de Petrobras e Vale, rebalanceamento de carteira do Ibovespa, reunião do Fed, e outros fatos”.

O Ibovespa fechou em baixa de 0,64%, aos 55.447 pontos, com giro de R$ 6,725 bilhões. Na Europa, o índice Stoxx 600 avançou 0,02%, aos 303,74 pontos, mantendo-se no melhor nível desde junho de 2008. Em Nova York, o Dow Jones caiu 0,15%, para 15.082 pontos, o S&P-500 recuou 0,37%, aos 1.626 pontos. O Nasdaq caiu 0,12%.

 

Valor Econômico de 10.5.2013.

 

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