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Investidor deve avaliar risco de crédito do emissor

Além de entender quando ganha e quando perde, ao adicionar um certificado de operações estruturadas ao portfólio, o investidor deve estar atento ao risco de crédito. O COE é um instrumento de captação bancária, como um CDB, com a diferença que não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) caso a instituição não consiga entregar o que prometeu.

Na crise de 2008, por exemplo, o ouro teve forte valorização, mas nem todos os investidores que tinham uma nota estruturada vinculada à alta do metal puderam comemorar. Isso porque a instituição que havia emitido o papel estava em dificuldades financeiras. “Ele acertou o cenário, mas por conta do risco de crédito, perdeu dinheiro”, diz Charles Ferraz, chefe de investimentos do Itaú Private Bank.

Com o crescimento do mercado, o COE emitido por um banco com pior qualidade de crédito deve prometer ganho maior do que o de uma instituição mais sólida, diz Julio Ferreira, sócio da gestora de patrimônio Reliance. “Se você quer ter grande parte do patrimônio em COE, em princípio deveria ter certificados de vários emissores diferentes”, afirma.

Sylvio Castro, corresponsável pela gestão dos fundos exclusivos da Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG), não espera que o COE ocupe um grande espaço na carteira do investidor. “Tendem a ser ideias táticas, que vão compor um portfólio, sem um peso gigantesco”, diz.

Da mesma forma que no CDB, o investidor não vai saber qual é a remuneração do emissor, como seria possível nos fundos, que têm taxa de administração. Ferreira, da Reliance, acredita que uma evolução do mercado brasileiro será divulgar esse valor, como ocorreu nos Estados Unidos no pós-crise com a cobrança de mais transparência nas operações.

Em alguns países, as notas estruturadas são conhecidas por permitir ganhar com praticamente qualquer evento. Há casos, por exemplo, de operações associadas ao placar de jogos de futebol. No caso do COE, a nota estruturada brasileira, a regulamentação restringe a indexação a instrumentos do mercado financeiro. “Acho que é saudável não misturar o que pode ir para o campo da aposta com o que é investimento”, diz Ferraz, do Itaú.

Fonte: Valor Econômico de 20.1.2014.

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