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Infraero testa novo sistema para levar passageiro ao avião

A Infraero pretende investir R$ 102 milhões para instalar em 25 a 30 aeroportos de sua rede, até meados de 2015, um sistema considerado inédito no mundo: conectores climatizados que permitem aos passageiros sair das salas de embarque localizadas no andar térreo dos terminais e chegar aos aviões sem sacolejar dentro de ônibus nem ficar debaixo de sol ou chuva.

O sistema foi desenvolvido pela empresa gaúcha Ortobras e está sendo implantado, em um projeto-piloto, no aeroporto de Palmas, em Tocantins. Campo Grande, Foz do Iguaçu e Porto Alegre são cidades candidatas a receber os conectores em seguida. Os aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ), com adaptações e sem dispensar totalmente os ônibus, também poderão ter a engenhoca.

Não se trata, como nos terminais maiores e mais modernos, das pontes de embarque (fingers) nas quais os passageiros entram direto nos aviões. Nesse caso, os conectores são instalados em módulos no andar térreo dos terminais, para facilitar o embarque “remoto” – aqueles feitos por ônibus. Têm sistema próprio de iluminação, ar-condicionado e elevador para portadores de necessidades especiais.

Cada unidade do Sistema Elo, como foi batizado, tem preço diferente. Um módulo custa entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,5 milhão. “Essa solução é um divisor de águas e muda completamente a prestação de serviço”, diz o superintendente de gestão operacional da Infraero, Marçal Goulart.

Na internet, blogs de aeronautas, ao analisar superficialmente o projeto da Infraero, fizeram comparações com os “puxadinhos” construídos nos últimos anos pela estatal. Chamados oficialmente de módulos operacionais provisórios (MOPs), esses “puxadinhos” foram instalados, como solução emergencial, em aeroportos já saturados e onde ampliações definitivas dos terminais de passageiros ainda não saíram do papel.

As críticas na internet questionam se o Sistema Elo não está sendo usado pela Infraero como resposta “improvisada” à falta de pontes de embarque em número suficiente, o que leva ao entra-e-sai dos ônibus até chegar ao avião.

As duas estruturas, segundo Goulart, não são comparáveis. Os “fingers”, além de três a quatro vezes mais caros do que os novos conectores, requerem terminais com mezanino ou segundo andar. “Palmas, por exemplo, só terá demanda para fingers e mezanino daqui a dez anos”, compara. Por isso, de acordo com ele, não se trata de paliativo para a ausência de pontes de embarque, e sim de uma solução sob medida para determinados aeroportos.

Goulart diz ter visitado projetos parecidos em aeroportos como El Dorado (Bogotá) e JFK (Nova York), mas o sistema foi aperfeiçoado no município de Barão (RS), sede da Ortobras. A empresa venceu licitação para fornecer conectores no valor de até R$ 102 milhões, à medida que houver demanda por parte da estatal. Em Palmas, serão três unidades, das quais duas começaram a operar em testes.

O superintendente ressalta que a razão de ser dos conectores é a busca da Infraero em atender passageiros com mobilidade reduzida. A partir da instalação do sistema, eles poderão subir aos aviões de elevador, quando não existem “fingers”. “Resolvemos um impasse jurídico em torno da responsabilidade por colocar esse passageiro na aeronave.” (DR)

Fonte: Valor Econômico de 26.12.2013.

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