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Inadimplência no Brasil ainda vai piorar, diz especialista

Fonte: Brasil Econômico

“O cenário vai se agravar, mas não será desesperador porque os bancos possuem forte análise de risco”, afirma Ricardo Torres, professor e diretor da Norfolk Advisors.

Contrariando a estimativa do próprio Banco Central (BC), de que a inadimplência no país irá diminuir neste segundo semestre, o número de brasileiros inadimplentes, divulgado nesta quinta-feira (30/8) pela instituição, aumentou em julho, atingindo 7,9%.

“A situação está mais grave do que o Banco Central observa porque muitas empresas estão realizando corte de funcionários”, aponta Ricardo Torres, professor e diretor da Norfolk Advisors.

Na opinião dele, a inadimplência no Brasil vai continuar subindo, pois a única razão de queda seria a utilização do 13º salário antecipado para quitar dívidas, mas no momento isso não está acontecendo.

“O cenário vai se agravar, mas não será desesperador porque os bancos possuem forte análise de risco. Muita parte da renda das famílias está comprometida, uma vez que compraram imóveis e carros”, completa.

Por sua vez, a equipe de análise da LCA Consultoria vê que as taxas de juros deram sinais de estabilização, indicando interrupção do movimento de queda dos spreads bancários, conforme esperado. Contudo, a inadimplência estacionou em elevado patamar, frustrando novamente a expectativa de recuo.

A manutenção da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciado na quarta-feira (29/8), pode ser uma das razões para o aumento da inadimplência.

“Sou contra o corte no IPI porque ele atinge setores específicos. No caso dos automóveis, não houve melhora na economia, apenas nos estoques das montadoras, que também não contrataram mais funcionários”, aponta.

Torres complementa ainda que o ideal seria a redução de encargos sociais sobre os salários para que as empresas possam contratar mais e, em seguida, diminuir os impostos.

“O dinheiro dos impostos que tinha que ficar com a economia não fica, vai todo para o governo. O Brasil está ficando caro a ponto de ser impossível viver aqui. É hora de estruturar e setor fiscal, se não teremos que pegar no tranco”.

O cenário internacional também pode penalizar mais a economia brasileira. Caso a situação na Europa, que é a maior importadora do Brasil, se agrave, as indústrias vão sentir o peso, aumentando as demissões.

No entanto, apesar das incertezas, a LCA acredita que “a taxa inadimplência de pessoas físicas irá recuar moderadamente no restante do ano, se aproximando gradualmente da média histórica de 7%”.

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