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Ibovespa testa os 60 mil pontos, mas investidor prefere esperar ata do Fed

Depois de três semanas subindo “no vácuo”, baseadas apenas em expectativas e rumores, as bolsas mundiais começam a enfrentar a hora da verdade nesta quarta-feira, com a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), e também de novos indicadores do setor imobiliário.

A atual onda de otimismo dos mercados teve início na última semana de julho, quando o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que faria o que fosse necessário para garantir a continuidade do euro. “Ele deu um recado forte ao mercado, que passou a trabalhar com possibilidade de relaxamento monetário e reagiu positivamente”, lembra o economista da Mauá Sekular, Rodrigo Melo. Além disso, as sinalizações da Alemanha em relação ao tratamento das dívidas dos países em dificuldades ficaram mais brandas. Sinais repetidos de auxílio monetário na China e números melhores nos Estados Unidos completam a equação.

Essa onda de otimismo levou o Ibovespa a flertar com os 60 mil pontos ontem, algo que não acontecia desde maio. O S&P 500, um dos principais índices de Wall Street, também marcou sua maior pontuação em quase quatro anos. Os investidores se animaram com o resultado do leilão títulos da Espanha, que conseguiu pagar taxas menores do que na operação anterior. Além disso, uma fonte do Ministério das Finanças da Grécia disse que o país quer ampliar seu corte de gastos em € 2 bilhões, totalizando € 13,5 bilhões, para compensar a perda de receita que provavelmente ocorrerá com as medidas de austeridade.

Mas o clima positivo aqui e lá fora só durou até a hora do almoço. À tarde, os mercados mudaram de direção e encerraram a terça-feira em baixa. O Ibovespa caiu 0,62%, para 58.917 pontos, com volume expressivo para um dia sem vencimento de opções, de R$ 7,030 bilhões. “O mercado subiu nas últimas três semanas apenas na expectativa de eventos positivos na Europa e nos Estados Unidos, mas nada aconteceu de fato até agora que justifique um avanço maior da bolsa”, observou o gestor de uma grande casa de investimentos. A agenda vazia de indicadores nos últimos dois dias também colaborou para movimentos especulativos.

O gestor lembra que, entre as apostas dos investidores, estão a possível atuação do BCE na recompra de títulos dos países da região em crise, e também alguma sinalização do Fed sobre o lançamento de um novo pacote de medidas de estímulo econômico, o chamado “quantitative easing 3”. A sinalização pode aparecer na ata de hoje.

Valor Econômico de 22.8.2012.

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