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Heringer sinaliza potencial de alta em cenário difícil

Há duas formas de avaliar o ano de 2012 para a Heringer, produtora e distribuidora de fertilizantes brasileira. A menos otimista salienta o fato de a ação da companhia de cerca de R$ 5 bilhões de receita líquida, 50 mil clientes e 17% de participação de mercado ainda não ter recuperado o preço negociado em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Na última segunda-feira, o papel fechou cotado a R$ 15,44, abaixo dos R$ 17 no IPO da empresa, em abril de 2007.

A avaliação menos pessimista leva em conta o fato de a cotação ter subido 39,1% desde o início do ano, enquanto o Índice Bovespa (Ibovespa) logrou uma recuperação de 0,93% no mesmo período. Sob as mesmas lentes otimistas, também se percebe a robustez da empresa para enfrentar um cenário macroeconômico difícil e algumas questões conjunturais.

A primeira delas pode ser vista no balanço do segundo trimestre. O aumento de 15,4% na receita líquida, incrementado especialmente pelos preços mais altos do menu de “produtos especiais”, mitigou o impacto da desvalorização cambial. O enfraquecimento da moeda brasileira ante o dólar provocou um prejuízo entre abril e junho de R$ 50,1 milhões nas contas da empresa.

O impacto é natural ao setor. Apesar de ser o quarto maior consumidor de fertilizantes no mundo, o Brasil ainda precisa importar dois terços da matéria-prima dos produtos agrícolas. O prejuízo não deve assustar investidores e analistas nem ser considerado isoladamente, segundo Dalton Carlos Heringer, diretor-presidente da empresa. Por operar em um mercado sujeito a sazonalidades, os resultados devem ser sempre avaliados em prazos mais longos. Os analistas do Deutsche Bank concordam. “É importante reforçar que o negócio da Heringer é altamente impactado pela sazonalidade, com os segundo semestre do ano sendo muito mais relevante para os resultados”, escrevem.

A empresa também conseguiu contornar um problema que afeta os importadores: a greve dos servidores e a lentidão para liberar as cargas nos portos. “Enquanto estamos aqui [na reunião do Heringer Day, no dia 29 de agosto em São Paulo], algumas cargas estão há semanas esperando liberação”, disse o diretor-presidente. A consternação do empresário com o problema só pôde ser abrandada por uma questão prática: “a companhia tem alto nível de inventário (113 dias no segundo trimestre) e, de acordo com a direção, poderia aumentar os preços de seus produtos caso o fornecimento [das matérias-primas importadas] fique ainda mais restrito”, destaca a equipe de análise do Bank of America Merrill Lynch.

A favor da empresa em 2012 também está o potencial de aumento de 5% da área plantada no Brasil. O país é, inclusive, o que mais cresce (+6,7%) em participação de mercado de 1990 a 2011 entre os maiores consumidores, segundo a Associação Internacional das Indústrias de Fertilizantes (IFA, na sigla em inglês). Nesse sentido, a retração do mercado americano com a quebra de safra não deverá provocar uma queda brusca na demanda por fertilizantes e consequente redução dos preços, segundo os analistas.

“Em nossa visão, o setor de fertilizantes vem passando por um momento bastante favorável, com os preços das commodities agrícolas em patamares elevados, especialmente por conta das condições climáticas adversas nos EUA, favorecendo o investimento dos produtores rurais em melhora de produtividade”, escreve o analista Henrique Koch, do BB Investimentos. A mesma percepção positiva têm os analistas da Itaú Corretora: “a empresa deve continuar a se beneficiar de um momento positivo para a indústria de fertilizantes”, escrevem no “Radar de Preferências”.

Em relatório, os analistas da corretora Planner Prosper salientam outro vetor positivo: “as melhores condições de crédito na agricultura brasileira”. De acordo com a consultoria Agroconsult, o produtor está menos dependente do financiamento das tradings e da indústria de implementos agrícolas. Na safra 2010/2011, 65% do financiamento da produção veio do capital próprio e dos bancos.

Ao apresentar os resultados no Heringer Day, Wilson Mardonado, diretor de Relações com os Investidores da empresa, disse que “o valor de mercado não tem acompanhado o crescimento do Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização]”. “A ação está sendo negociada a 4 vezes o Ebitda estimado para 2012 e 7,6 vezes o P/L (Preço/Lucro), os quais consideramos atrativos”, destaca o Deutsche Bank. Segundo dados da “Bloomberg”, seis casas de análise recomendam compra; uma, a venda; e uma, a manutenção do papel.

Valor Econômico de 5.9.2012.

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