Felsberg Advogados
Home | Henry Borenstein assumirá Helbor
Publicações

Henry Borenstein assumirá Helbor

Valor Econômico, Chiara Quintão, 29/out

 

Henry Borenstein, vice-presidente executivo da Helbor, vai assumir a presidência da companhia em abril de 2013. Em cumprimento às regras do Novo Mercado, o pai de Henry, Henrique Borenstein, deixará o posto, mas continuará na presidência do conselho de administração. Ele acumula as duas presidências. À primeira vista, o processo de sucessão de uma companhia sugere mudanças decorrentes da troca de comando, mas, na prática, os negócios continuarão conduzidos da mesma forma, e a Helbor seguirá como empresa de dono listada em bolsa. A companhia comemora hoje cinco anos de sua abertura de capital.

“A palavra final é do doutor Henrique, mas, no dia a dia, não preciso ter o aval dele, que já aprovou o terreno e o orçamento [para cada projeto]”, diz Henry, referindo-se ao pai, com quem trabalha desde que tinha 13 anos e aprendeu a forma de olhar para os negócios. Henrique, um simpático senhor de 78 anos, diz que já passou o bastão para o filho de 39 anos. “Em qualquer lugar, sou o pai do Boy (como Henry é chamado por Henrique). Antes, ele era o filho do Henrique. O Boy sabe mais que eu, mas ainda não mexe muito no dinheiro”, conta.

As conversas entre os dois principais executivos da Helbor sobre a empresa permeiam não só o ambiente de trabalho, como também almoços e jantares de família, quando eles aproveitam para visitar terrenos, estandes de vendas e obras. Henrique mora em Mogi das Cruzes (SP) e vem a São Paulo sempre que necessário. Já Henry mora em São Paulo e vai para Mogi às segundas e sextas-feiras. Outros membros da família engrossam o time, como Roberval Lanera Toffoli, diretor financeiro e de relações com investidores, genro de Henrique e cunhado de Henry.

Na avaliação de Henrique, “acordar às cinco da manhã e trabalhar até às dez da noite, tomando conta de tudo” é o que explica que a Helbor seja uma das incorporadoras mais rentáveis entre as listadas. A companhia tem o maior retorno sobre patrimônio (ROE, na sigla em inglês) entre as incorporadoras abertas e uma das maiores margens brutas. O ROE elevado resulta da compra de terrenos, preferencialmente, por meio de permuta, da velocidade de vendas “boa” e do menor desembolso durante a obra, conforme Henry.

Os indicadores de rentabilidade continuarão elevados em 2012, em linha com os registrados no ano passado. A margem bruta deve ficar entre 31% e 33%, a margem bruta ajustada, entre 36% e 38%, enquanto a margem líquida esperada é de 18 %.

A Helbor foi a última incorporadora a abrir capital na onda de lançamentos iniciais de ações (IPOs), em 2006 e 2007. Ao contrário da maior parte das concorrentes, optou por taxas de crescimento mais modestas, porém contínuas. Em 2012, quando quase todo o setor está reduzindo lançamentos, a Helbor projeta crescer de 10% a 15%, chegando ao Valor Geral de Vendas (VGV) próprio de R$ 2,1 bilhões a R$ 2,2 bilhões. Desde o IPO, a preocupação foi a “lançar para vender e não para cumprir guidances”, segundo Henri.

De acordo com o vice-presidente, as vendas prosseguem em ritmo que torna viáveis os empreendimentos e permite que a conta feche, mas não se espera mais a euforia de 2010, o que faz com que a empresa fique mais cautelosa na definição dos projetos e do momento de apresentá-los. Ainda assim, a Helbor esperava lançar 20% a mais que no ano passado, não fossem os atrasos na liberação de licenças na cidade de São Paulo.

Até o fim desta semana, a companhia terá lançado cerca de R$ 1 bilhão, incluindo os dois projetos apresentados ao mercado neste mês. A expectativa é que mais 13 projetos sejam lançados até dezembro, dobrando o VGV registrado durante todo o ano.

Na contramão da maioria do setor, que está elevando a parcela de construção própria para controlar melhor custos e evitar novos estouros de orçamento, a Helbor pretende continuar sem construtora. “A empresa conseguiu implementar modelo de negócios muito mais próximo ao de incorporadora pura, focando em desenvolvimento de projeto e controle da operação, mas sem ser verticalizada”, diz o analista de construção do Credit Suisse, Guilherme Rocha.

O modelo de terceirização, que para a Helbor funciona, foi questionado pelo mercado após a onda de estouros de custos do setor, principalmente fora das tradicionais praças de atuação. A Helbor adotou formato de parceria em que construtoras são sócias na incorporação, o que contribui para que se comprometam mais. Como não optou por crescimento acelerado, a Helbor não exigiu que os parceiros assumissem mais obras do que tinham capacidade.

Na avaliação de Rocha, o modelo adotado pela Helbor, ao mesmo tempo em que é o que traz mais benefícios à incorporadora, implica no maior risco, à medida que a empresa está sujeita ao desempenho dos prestadores de serviços.

O analista de construção da Bradesco Corretora, Luiz Maurício Garcia, destaca que a Helbor tem um dos menores patamares de despesas gerais e administrativas do setor, sendo “muito eficiente em seus custos operacionais”. Garcia ressalta ainda que a empresa tem forte presença fora das regiões mais disputadas por outras incorporadoras de capital aberto. A Helbor é uma das “top picks” do setor para a corretora.

A Helbor pretende permanecer também sem equipe própria de vendas. “Nossa origem é de banco. Fazemos aqui o que pensamos que sabemos fazer: mexer com dinheiro e papel. O resto nós contratamos”, diz Henrique. Henrique tinha 15% do BCN até o banco ser vendido para o Bradesco e, após o negócio, passou a ter participação no Bradesco. Na avaliação do presidente da Helbor, a passagem pelo mercado financeiro também contribui para a obtenção de crédito pela incorporadora.

A Helbor distribuirá 40% do lucro de 2012 em dividendos no início de 2013. A cada ano, a parcela aumenta cinco pontos porcentuais até chegar a 50%.

Com a combinação de entrega de resultados pela Helbor e problemas na maioria das incorporadoras grandes, o mercado passou a prestar mais atenção na empresa, e a liquidez dos papéis aumentou. Suas ações ordinárias tiveram valorização de 265,22% desde o IPO, ante a queda do Ibovespa de 10,89%. Desde janeiro de 2008, quando o Índice Imobiliário (Imob) começou, as ações da Helbor tiveram alta de 252,41%, enquanto o indicador setorial caiu 9,47%. Não é de se estranhar que, pelo menos, por enquanto, os executivos não tenham a intenção de alterar os rumos da companhia. “Mas, se precisar, a gente muda.”

Topo Voltar