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Grifes de luxo deixam a Argentina

Barreiras impostas pelo governo de Cristina Kirchner levam marcas a abandonar o mercado do país

O Estado de São Paulo

A francesa Louis Vuitton entrou para a lista das grifes de luxo que estão abandonando a Argentina por causa das barreiras contra as importações impostas pelo governo de Cristina Kirchner. Representantes da marca confirmaram aos clientes que, na próxima sexta-feira, a única loja de Buenos Aires fechará as portas, “até o regresso de um período mais favorável no país”.

Quase todas as grifes internacionais no país seguiram o mesmo caminho, resultando num amplo êxodo de lojas da famosa Avenida Alvear, espécie de Quinta Avenida portenha. A Louis Vuitton já indenizou seus funcionários e planeja abrir uma loja em Punta Del Este, no Uruguai, um dos balneários preferidos dos argentinos para o verão.

Na quinta-feira, a joalheria Cartier, em frente à Louis Vuitton, também anunciou que permanecerá no país somente até 31 de outubro. Em agosto, a Maison Polo Ralph Lauren, vizinha da Louis Vuitton e Cartier, suspendeu as operações das três lojas no país, mas disse que a suspensão é temporária, porque há intenção de continuar. A Ralph Lauren explicou que tinha dificuldades para importar seus produtos. Em dezembro, foi a vez da Yves Saint Laurent, que já operava no país havia 30 anos, e da Escada deixarem a Argentina.

As grifes estrangeiras começaram a abandonar Buenos Aires após o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, ter assumido o controle das importações argentinas. A primeira foi a Empório Armani, há três anos. A partir de fevereiro, quando foi adotado o sistema de Declarações Juramentadas Antecipadas de Importação (DJAI), endurecendo os controles sobre as importações, outras grifes se uniram à lista.

A Calvin Klein teve de deixar de vender sua linha de roupa íntima e a Chanel tem tido dificuldades para atualizar suas novas coleções a cada temporada.

Todas as marcas de luxo estão com estantes vazias ou desatualizadas. Grifes argentinas também foram obrigadas a fechar as portas por falta de insumos, como a Tissage, de roupas femininas, que usa tecidos importados.

Uma importante estilista argentina, que prefere não ser identificada, contou que fechou as cinco lojas que tinha porque não podia comprar linhas e tecidos para suas roupas. “Não estava disposta a substituir o material por similar nacional, como exige o governo, pois isso significaria mudar o meu estilo, o caimento das peças que desenho e todo o movimento delas”, justificou.

Assim como ocorre com outros setores, a lei da conversibilidade (um a um) de Moreno, pela qual o importador só pode comprar no exterior o mesmo valor que exportar, é aplicada também ao mundo fashion. Em maio, a italiana Ermenegildo Zegna fechou a butique da Avenida Alvear, mas resiste em um shopping: passou a exportar lã da Patagônia para manter uma cota de importação de suas roupas.

No fim do ano passado, a espanhola Zara também ficou sem estoques, e esteve a ponto de abandonar o país, quando decidiu iniciar uma linha de produção nacional em troca de importar suas peças.

 

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