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Gestores ainda evitam ações de estatais

Gestores de recursos locais e estrangeiros continuam com o pé no freio na aplicação em ações de empresas estatais, que protagonizaram o recente rali da Bovespa. “Acredito que esse é um rali especulativo baseado em surto de liquidez”, disse Jean Van De Walle, vice-presidente e gestor de portfólio para mercados emergentes da AllianceBernstein.

Segundo ele, a especulação é com relação a uma possível mudança de governo, que traria em tese um ambiente mais favorável aos negócios. “O rali está concentrado nas estatais, área que teria maior potencial de melhora e criação de valor”, disse De Walle durante fórum de investimentos promovido pelo Bradesco.

A gestora americana mantém uma posição neutra para Petrobras e não voltou a comprar ações na bolsa brasileira. “Os papéis de que gostamos, as ‘blue chips’, ainda não estão com preços atraentes”, justificou o executivo.

No nível das cotações em que estão as ações de estatais hoje, seria natural considerar uma possível valorização, disse Joaquim Levy, diretor da Bradesco Asset Managment (Bram). Ele ponderou, no entanto, que em empresas do governo é bom manter posições mais neutras. “Todo mundo tem convicções do que vai acontecer e alguns se alavancam. Com isso, qualquer pequena mudança deslancha posições”, afirmou.

Sobre a Petrobras, o diretor da Bram disse que é uma empresa sólida, com reservas e um bom time. Segundo ele, o preço atual da ação embute um potencial de alta, mas ponderou que há indefinições sobre a companhia e que as coisas podem mudar a qualquer momento com “aquela assinatura”, referindo-se a um eventual reajuste de preços dos combustíveis.

Leonardo Linhares, gestor de portfólio da SPX Capital, avalia que o valor dos papéis das estatais mostra uma oportunidade, mas que historicamente esse tipo de aplicação tem se mostrado uma “arapuca”. Segundo ele, tanto as estatais quanto empresas de setores regulados, como telefonia e “utilities”, têm apresentado “surpresas negativas”.

O gestor da SPX acrescentou que o rali recente faz parte de um “trade global” de realocação de recursos no curto prazo. De acordo com ele, os investidores estavam todos na mesma direção, com posições “underweight” (abaixo da média de mercado) para emergentes, e mudaram a mão. “A questão da Rússia acabou batendo na Europa. Segundo dados recentes, a Rússia teve saída de recursos de US$ 68 bilhões, esse dinheiro foi para algum lugar”, disse.

Linhares acrescentou que a “cereja do bolo” no caso do fluxo para Brasil foram as pesquisas de intenção de voto para as próximas eleições. “A discussão política foi antecipada. É como diz o Mike Tyson: todo mundo tem um plano até tomar uma no queixo”, afirmou. Ele também lembrou que o estrangeiro está mais animado com o mercado brasileiro do que o investidor local. “Isso talvez aconteça porque o estrangeiro tem uma sensibilidade maior sobre o impacto dos ciclos globais sobre variáveis locais.”

Os três gestores veem oportunidades de investimentos em papéis de bancos. Segundo Linhares, as ações dessas instituições estão com bons preços e são ativos em que os estrangeiros não se posicionam muito. Ele lembrou também que Itaú e Bradesco estarão entre os ativos de maior participação na composição do Ibovespa que valerá a partir de maio. “As duas terão peso de quase 20% do índice”, disse Linhares.

De Walle, da AllianceBernstein, também destacou os papéis de empresas exportadoras. “As exportadoras têm valor agregado e têm um hedge cambial interessante”, disse, citando Suzano e Embraer.

 

Fonte: Valor Econômico de 10.4.2014.

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