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Gestora escocesa quer ampliar operação no Brasil

Mesmo com a desaceleração de crescimento dos emergentes e a desconfiança que se abateu sobre o Brasil no início do ano, puxada pela preocupação em relação à política fiscal, pelo ritmo lento da economia e pela inflação pressionada, que culminou com o corte da nota do país pela Standard & Poor’s, a escocesa Aberdeen, com mais de US$ 500 bilhões em ativos sob seus cuidados globalmente, dos quais US$ 13 bilhões alocados no mercado brasileiro, vai expandir sua atuação no Brasil.

Segundo Gary Marshall, “head” para as Américas da Aberdeen, em entrevista Valor, a empresa vai lançar dois fundos no mercado local, um de ações “long only” (de longo prazo) e outro multimercados balanceado. As duas carteiras representam os primeiros passos da escocesa como gestora de recursos no país.

Os novos fundos, já registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), estão em fase adiantada de desenvolvimento. Segundo o chefe de operações no Brasil, Nick Robinson, a Aberdeen está em negociação com grandes bancos e corretoras para a distribuição dos produtos e “em poucas semanas” a gestora terá definido os detalhes operacionais. “Serão nossos fundos de entrada, para estrear na indústria de fundos brasileira”, diz.

O público-alvo são investidores institucionais, como “family offices”, “private banks” e fundos de pensão, além de pessoas físicas de alto patrimônio. Mas, no futuro, a Aberdeen não descarta a possibilidade de oferecer produtos acessíveis ao varejo. “Planejamos oferecer novos produtos, conforme nossa plataforma evoluir. O Brasil é a sexta maior economia e o quarto maior mercado de fundos do mundo. Nós, enquanto ‘player’ global de gestão de recursos, não podemos nos permitir não estar presentes aqui”, afirma Marshall.

Os gestores da Aberdeen veem o Brasil sob uma perspectiva relativamente otimista, dentro de uma estratégia de investimento de longo prazo e de seletividade de papéis a preços atrativos. Robinson afirma que o desenvolvimento da economia brasileira em um horizonte mais amplo vai oferecer oportunidades de investimento em setores que se beneficiam da demanda doméstica. “Nossa experiência mostra que diversificar em 20 a 25 papéis de companhias com ‘valuation’ condizentes é uma estratégia que gera os melhores retornos.”

O executivo cita empresas de varejo, shoppings centers, saúde e bancos como os mais promissores. “Temos muita experiência em investir em bancos globalmente e os brasileiros são instituições conservadoras, ou seja, bons investimentos.” Já o lado menos atraente da bolsa brasileira, na visão da gestora global, é formado pelos setores que podem sofrer com intervenções do governo, como “utilities” (empresas de serviço público) e telecom.

De acordo com o executivo, a Aberdeen já acumula experiência significativa no mercado brasileiro. A gestora tem investido no país por meio de fundos dedicados e fundos com mandato para aplicar em ativos na América Latina. Entre as participações mais antigas estão Bradesco e Ultrapar, com fatias que hoje alcançam 10,28%, no caso do banco, e 10,79%, para o grupo industrial. As companhias fazem parte das carteiras da Aberdeen desde 2004. Em seguida, com posição iniciada em 2005, vem a varejista Lojas Renner, da qual a gestora escocesa detém atualmente 17,98% das ações ordinárias.

No início de abril, a Aberdeen esteve sob os holofotes ao integrar o grupo de acionistas estrangeiros que apoiou a indicação de José Monforte e a reeleição de Mauro Cunha, presidente da Amec, associação que reúne os minoritários, ao conselho da Petrobras, como representantes independentes. A gestora escocesa integrou um grupo de fundos internacionais, junto com Amundi, APG, British Columbia, Hermes e outros.

Fonte: Valor Econômico de 14.4.2014.

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