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Gestão passiva? Sim, mas diversificada entre os índices

Por John Wasik

Você pode conseguir grande parte do que deseja com seus investimentos em fundos de índices comuns, mas vai ter de fazer uma pesquisa profunda se quiser tornar sua carteira mais produtiva. Para a maioria dos investidores tradicionais, direcionar o foco a fundos baseados no índice S&P 500 e em algum índice do mercado geral de títulos de dívidas é suficiente. Mas e se você se concentrasse em uma combinação de diferentes classes de ativos, em vez de selecionar apenas os suspeitos usuais em fundos convencionais de índices, compostos pelas ações e bônus mais negociadas? Você poderia ficar em condições de elevar seus retornos, além de também se proteger contra anos ruins.

Uma abordagem de “investimento em classes de ativos” também se baseia em fundos de administração passiva, de baixo custo, como veículos principais, mas dá mais atenção à diversificação, o que pode melhorar os retornos. Investir um pouco em cada canto do mercado significa investir em empresas grandes, médias e pequenas, em países desenvolvidos e em desenvolvimento, assim como em uma seleção de bônus globais e dos Estados Unidos.

Em que sentido isso é diferente? Veja a abordagem tradicional de indexação no mercado de ações dos EUA. A maioria dos assessores financeiros vai te recomendar a compra de um fundo baseado no índice S&P, que tem as ações mais negociadas dos EUA. Uma boa escolha seria o SPDR S&P 500 ETF, composto por uma carteira em grande parte passiva com uma taxa de custos de 0,09% ao ano.

Como muitos fundos de índices têm ações valorizadas, você pode não estar pagando os melhores preços por elas. E se você mudasse para uma abordagem com base no valor (com alto potencial de valorização) e buscasse ações com preços baixos?

Nesse caso, você iria preferir comprar um fundo como o DFA US Large Cap Value I, que superou o índice S&P 500 em quase quatro pontos percentuais em retorno anualizado nos últimos 15 anos até 14 de março. Cobrando 0,27% em taxas anuais, o fundo investe em nomes importantes, como Bank of America, Citigroup e Chevron Corp. Nos últimos três anos, registrou retorno anualizado de quase 16%, até 14 de março.

Com essa abordagem, você pode ter maior valorização, já que o valor dessas empresas não é tão alto quanto o de ações como Apple ou ExxonMobil Corp, que estão no topo da popularidade entre as ações nos EUA neste momento e compõem as maiores participações dos principais fundos de índices de grandes ações.

Outro aspecto da abordagem em classes de ativos é espalhar sua alocação de ações em empresas de todos os tamanhos pelo mundo. Combinar uma participação com base no valor e em pequenas empresas também pode ser um investimento forte.

O DFA US Small Cap Value Portfolio, por exemplo, superou o desempenho do índice S&P em mais de oito pontos em retornos anualizados nos últimos 15 anos. Mas você provavelmente não reconheceria a maioria dos investimentos do fundo, que inclui empresas como o CNO Financial Group e a Esterline Technologies . Custa 0,52% ao ano, em despesas.

Se há uma regra no investimento em classes de ativos, é ignorar o que for popular naquele momento – seja um fundo ou uma ação – e seguir o quadro geral de todo o universo de ações e bônus.

Presumindo que a combinação dos fundos se ajuste a seu apetite por risco e que pode superar a inflação, agregar tudo é uma questão de encontrar os melhores fundos em cada classe de ativos.

Os fundos DFA, que citei antes, são bons veículos, mas estão disponíveis apenas por meio de assessores. Você pode encontrar fundos comparáveis no iShares, SPDR ou Vanguard.

Eric Nelson, da Servo Management, realiza investimentos em classes de ativos para seus clientes. Sua abordagem é, em grande parte, passiva, mas ele personaliza cada carteira. Parte da estratégia é manter fundos esquecidos no momento, como os de mercados emergentes ou grandes empresas com baixos valores. A abordagem também pode resultar em menor risco, já que você não se concentra demasiadamente nas ações com os maiores preços do mercado.

Nelson estima que os investimentos em classes de ativos trouxeram retorno de aproximadamente 8% ao ano nos dez anos até fevereiro, em comparação aos 6% de gestão ativa e aos 7% de estratégias “táticas”, que combina setores “frios” e “quentes”. “O investimento em classes de ativos é personalizado para o que você tenta obter”, diz Nelson. “E não há benefício em comprar fundos de gestão ativa”.

Outro elemento fundamental na estratégia é ser verdadeiro com o tipo de risco que se quer assumir. A desvantagem de investir em pequenas empresas, para buscar altos retornos, é que isso implica assumir mais risco no curto prazo. É aí que entra a diversificação. Ao investir em uma ampla combinação de ações e bônus, a carteira com investimentos em classes de ativos perdeu apenas 22% em 2008, em comparação ao declínio de 32% dos portfólios ativos.

Para que essa estratégia funcione, pode ser necessário trabalhar com um assessor, para criar uma carteira de fundos de administração passiva e de baixo custo ou para encontrar uma carteira pré-elaborada on-line em serviços como Betterment, Wealthfront.com, folioinvesting.com. Apenas busque certificar-se de ter um pouco investido em tudo: empresas pequenas, médias e grandes pelo mundo e títulos do Tesouro dos EUA, de empresas e de países emergentes.

Fonte: Valor Econômico do dia 26.03.2014.

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